Ilustração: Frédérique Vayssières

Biblioteca da Escola Básica e Secundária, Valença

Português

Glossário

Cabo da Boa Esperança

Cabo situado perto do extremo sul do continente africano. Politicamente, pertence à província do Cabo Ocidental, África do Sul.

Concílio

Reunião em que são tomadas determinadas decisões.

Ludibriar

Enganar.

Luxuriante

Que cresce com abundância; viçosa, exuberante.

Mombaça

Cidade queniana, capital da província da Costa. Banhada pelo oceano Índico, é a segunda maior cidade do país.

Mouro

Que segue o islamismo; muçulmano.

Oriente

Conjunto dos países da Ásia.

Xeque

Chefe de tribo árabe.

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# Quiz Os Lusíadas

Os Lusíadas de Luís de Camões contados aos jovens

Era uma vez um povo de marinheiros e de heróis, o povo português, que, no século XV, quis descobrir o caminho marítimo para a Índia. Aos olhos dos europeus, esta era uma terra de riqueza e esplendor, mas demasiado longínqua.

Em 1497, quatro naus comandadas por Vasco da Gama lançaram-se ao mar, percorreram o Atlântico e dobraram o Cabo da Boa Esperança.

O vento era brando e o mar calmo. Durante algum tempo, a viagem decorreu sem incidentes, mas os perigos eram constantes e a travessia arriscada. Ninguém sabia ao certo o rumo a seguir.

Na costa de Moçambique, os barcos rasgaram a espuma branca das ondas. A Índia estava longe, mas os sábios e marinheiros acreditavam que, se a coragem não os abandonasse, seria aquele o caminho a seguir. Os deuses, porém, ainda não tinham decidido se deviam ou não deixá-los triunfar.

Júpiter, pai de todos os deuses; Vénus, deusa do Amor; Baco, deus do Vinho; Marte, deus da Guerra; Apolo, deus da Luz e da Beleza; Mercúrio, deus do Comércio e dos Viajantes; e Neptuno, deus do Mar, juntaram-se para decidir se prestariam ou não auxílio aos Portugueses.

Vénus e Marte desejavam protegê-los, Mercúrio considerava que tinham valor e coragem, mas Baco, que outrora tivera grande poder na Índia, não aceitava a ideia de que os Portugueses se tornassem senhores do Oriente.

Quando o concílio dos deuses terminou, já as naus portuguesas se encontravam no oceano Índico, onde se sabia estarem vulneráveis às armadilhas e ciladas do vingativo Baco.

Quando chegaram a Moçambique para se reabastecerem, Vasco da Gama recebeu um chefe mouro da ilha. Confiante, contou-lhe os seus intentos. O xeque, ao ver as armas que transportavam e crucifixos a bordo, apercebeu-se que os viajantes não veneravam o seu deus. Disfarçou o ódio e disse que lhes cederia um piloto competente, que os conduzisse ao destino.

Baco disfarçou-se de mouro e segredou intrigas ao ouvido do xeque, aconselhando-o a montar uma cilada que colhesse os Portugueses de surpresa quando fossem a terra abastecer-se de água fresca, frutas e legumes.

Quando os Portugueses desembarcaram na praia mais próxima, foram atacados. Defenderam-se, porém, com grande coragem. No momento em que se começou a ouvir o som da artilharia montada nos batéis, os mouros entraram em pânico, porque o estrondo não se assemelhava a nada que tivessem ouvido antes. Assustados, fugiram para o mar e para o meio do arvoredo e da vegetação luxuriante e alta.

O chefe da ilha propôs, então, uma paz fingida. O piloto que cedeu aos Portugueses tinha como missão encaminhá-los para a ilha de Quíloa, onde os aguardava maiores perigos. No entanto, as caravelas de Vasco da Gama foram afastadas pelo vento para longe da ilha. Vénus tinha implorado a Mercúrio que os encaminhasse para um porto seguro.

Iludidos pelas palavras do piloto mouro, rumaram para Mombaça. Quando ali chegaram, Vasco da Gama mandou a terra dois marinheiros experientes para depois o informarem sobre os costumes e a religião dos habitantes da ilha.

Os mouros de Mombaça trataram os marinheiros com aparente bondade e simpatia, pois Baco, para os ludibriar, tinha-se disfarçado de sacerdote cristão, mas Vénus, recorrendo à força da maré, arranjou maneira de empurrar as naus portuguesas para longe do porto, evitando que os seus protegidos caíssem noutra cilada.

Bibliografia

BARROS, João de - Os Lusíadas de Luís de Camões contados às crianças e lembrados ao povo. Lisboa: Livraria Sá da Costa Editora, 1973.

LETRIA, José Jorge - Os Lusíadas. Oficina do Livro, 2009.