Ilustração: Frédérique Vayssières

Biblioteca da Escola Básica e Secundária, Valença

 

Glossário

Crónica de costumes

Reflexão sobre hábitos, atitudes e comportamentos sociais. A crónica de costumes implica um olhar crítico sobre o comportamento do indivíduo em sociedade.

Folhetins

Narrativas literárias publicadas em série nos jornais e revistas. A publicação de um romance ou novela em folhetim servia, muitas vezes, como meio de divulgação e de lançamento para a sua publicação em livro.

Realismo

Movimento artístico e literário surgido nas últimas décadas do século XIX na Europa, mais especificamente na França, em reação ao Romantismo. Motivados pelas teorias científicas e filosóficas da época, os escritores realistas desejavam retratar o homem e a sociedade com objetividade. Uma característica do romance realista é o seu forte teor crítico.

 

# Quiz Eça de Queirós

José Maria de Eça de Queirós nasceu na Póvoa de Varzim, no dia 25 de novembro de 1845. O pai, juiz de Direito, e a mãe, Carolina d' Eça, não eram casados. Para esconder o facto, considerado escandaloso na época, separaram-se temporariamente e Eça foi registado como «filho natural de José Maria d' Almeida de Teixeira de Queirós e de Mãe incógnita». Só mais tarde seria reconhecido como filho legítimo.

Viveu parte da infância na região de Aveiro, com os avós paternos. Estudou no Colégio da Lapa, no Porto, de onde saiu em 1861, com dezasseis anos, para a Universidade de Coimbra, licenciando-se em Direito. Foi então viver com os pais, em Lisboa, e inscreveu-se como advogado do Supremo Tribunal de Justiça. Começou a escrever para os jornais Gazeta de Portugal e O Distrito de Évora.

Em 1869, deslocou-se ao Egito e assistiu à inauguração do Canal de Suez, na companhia do conde de Resende. As suas notas de viagem seriam mais tarde utilizadas em vários relatos e no romance A relíquia, publicado em 1887.

De regresso a Lisboa, começou a escrever, com Ramalho Ortigão, O mistério da estrada de Sintra, romance que seria publicado em folhetins, no Diário de Notícias.

Em 1870, ingressou na Administração Pública, sendo nomeado administrador do concelho de Leiria. O crime do Padre Amaro tem esta cidade como cenário, integrando-se já na literatura realista. Em 1971-72, Eça colaborou com Ramalho Ortigão em As Farpas, uma espécie de crónica de costumes.

Entretanto, juntou-se a um grupo de homens que visava promover um movimento cultural e literário renovador. O grupo ficou conhecido como a Geração de 70.

Durante a Regeneração, Portugal atravessava um período de estabilidade e progresso. A Geração de 70 desejava que o país acolhesse as novas doutrinas políticas e sociais e as mais recentes descobertas científicas. No campo social, o francês Proudhon era um dos seus modelos: falava na liberdade do indivíduo e numa sociedade mais justa, onde haveria mais igualdade e menos pobreza. Charles Darwin, autor de A origem das espécies, era também apreciado. Quanto à literatura, Eça admirava particularmente Vítor Hugo, Balzac, Charles Dickens e Flaubert. O grande impulsionador da Geração de 70 foi Antero de Quental, crítico social e poeta.

Na primavera de 1871, tiveram lugar as Conferências do Casino. Os participantes propunham-se adotar uma nova corrente artística, o realismo, em detrimento do romantismo.

Eça de Queirós foi o autor da 4.ª Conferência, a que deu o título de «O realismo como nova expressão da Arte». No seu discurso, defendeu que a arte devia ser a expressão do real e exercer uma função moralizadora. Ela não aparece na sociedade como um fenómeno isolado, mas sim ligada ao progresso ou decadência dessa mesma sociedade.

Eça acabou por seguir a carreira diplomática como profissão. Foi cônsul em Havana, Cuba, mas os anos mais produtivos da sua carreira literária foram passados em Inglaterra, entre 1874 e 1878, durante os quais exerceu o cargo em Newcastle e Bristol.

Os Maias foram publicados em 1888. A personagem principal, Carlos da Maia, é um homem culto e de bom carácter, que tem de viver integrado numa sociedade dominada pela mediocridade, inveja, hipocrisia e corrupção.

Eça de Queirós faleceu em Paris, em agosto de 1900.

Referências bibliográficas

Eça de Queirós. [Em linha]. Wikipédia. [consult. 10-09-2010]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/>

Pinto, J. M. Castro - Chamo-me... Eça de Queirós. Lisboa: Didáctica Editora, 2009.