Ilustração: Frédérique Vayssières

Biblioteca da Escola Básica e Secundária

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Antropólogo

Especialista em antropologia: o estudo do homem nos seus aspetos anatómico, fisiológico, biológico, genético e cultural.

Etnólogo

Especialista em etnologia: estudo dos povos integrados no contexto dos seus agrupamentos naturalmente constituídos.

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O que realmente comem os adolescentes

Nem só de fast food vivem os adolescentes. Um estudo recente garante que eles gostam que os adultos cozinhem para eles.

Todos concordam que os adolescentes atuais comem mal. Batatas fritas, pizzas, hambúrgueres, litros de refrigerantes. Muita gordura, muito açúcar, nada de legumes. Num estudo realizado em França sobre a alimentação dos teenagers, com 1500 jovens, dos 12 aos 19 anos, a resposta inicial foi de desconfiança: «Acham que comemos mal, não é?» Durante três anos, cerca de uma dezena e meia de antropólogos, etnólogos e sociólogos, observaram os jovens nos refeitórios da escola e na rua, interrogaram-nos e escutaram-nos, assim como aos seus pais e educadores. Conclusão: os adolescentes não comem o que os adultos pensavam. Eles também gostam dos pratos das avós preparados com amor e carinho. Alguns mitos atualizados.

Os adolescentes alimentam-se mal

Falso. Dizer que os adolescentes comem mal vem do facto de sermos constantemente bombardeados com informações sobre a obesidade e os distúrbios alimentares, a falência das tradições… Mas, no fundo, o que é que queremos dizer? Que eles não respeitam as recomendações nutricionais? Que comem sempre a mesma coisa? Segundo o estudo, os adolescentes sabem o que devem comer e até apostam na diversidade alimentar: gostam de fast food, mas também adoram os assados das avós. É verdade que as refeições que fazem não são muito equilibradas, mas pensam mais nisso do que os adultos julgam. Contrariamente ao que se acredita, eles questionam-se.

Eles nem sabem o que é comida saudável

Falso. Os adolescentes são bombardeados com mensagens sobre como comer bem, na escola, na televisão, em casa. O que não significa que ponham esses concelhos em prática. Eles encaram essas regras como sendo extremamente rígidas, algumas até incompreensíveis. «Coma cinco porções de fruta e legumes por dia». Cinco morangos? Cinco abacates?

Os adultos não podem obrigá-los a comer

Verdadeiro. Mas podem aliciá-los. A alimentação não se resume apenas à comida, mas também ao prazer e afeto. Os adolescentes gostam quando se cozinha para eles. Sentem-se amados. É por isso que não gostam de comer em refeitórios e confessam: «Sentimos que as pessoas que preparam a comida não se importam connosco».

Eles detestam legumes

Falso. Eles adoram batatas fritas! Piadas à parte, aquilo que os repugna não são os legumes, mas a sua textura depois de cozidos. Eles confessam detestar tudo o que é macio, pegajoso, gelatinoso, e o que «não se parece com nada»: couve-flor cozida, repolho, brócolos… Em contrapartida, adoram o que é crocante, fresco e colorido. Para eles, o aspeto ganha ao sabor, o prato deve ter uma apresentação agradável e os alimentos devem ser facilmente identificáveis.

O estilo é tudo

Verdadeiro. Em grupo, privilegiam os alimentos que podem partilhar, daí a importância dos pacotes de batatas fritas e das bolachas. Enquanto comem, os adolescentes gostam de fazer várias tarefas ao mesmo tempo – falar ao telemóvel, ouvir música… A comida deve ser portátil.

Eles não gostam de refeições em família

Falso. Os que têm entre 13 e 15 anos são os que mais batem o pé contra as refeições familiares. Mas, depois dos 16, são mais adeptos das refeições em família. Gostam do ritual, de menus preparados a pensar neles.

As raparigas são obcecadas com a linha

Verdadeiro. Esta preocupação está presente desde a entrada na adolescência, mas também diz respeito aos rapazes. Para eles, um corpo bonito é magro, mas não esquelético. A magreza excessiva é considerada feia. O que os incomoda são as gorduras que saltam à vista. Valorizam a firmeza. A imagem do corpo é diferente para os rapazes e para as raparigas. As raparigas consideram-se gordas, enquanto os rapazes as acham magras. Elas têm a consciência de que o ideal de magreza que as atormenta é imposto pelos media, mas isso não as impede de se sentirem culpadas por não corresponderem às medidas «ideais».

Fonte: O que realmente comem os teens. Elle. N.º 267 (2010), p.172-4.