Ilustração: Frédérique Vayssières

Biblioteca da Escola Básica e Secundária

O resumo

A habilidade de resumir é frequentemente solicitada na vida quotidiana de cada um de nós: como adultos, temos muitas vezes de resumir um artigo, um livro ou um filme, se não por escrito, pelo menos oralmente. Na escola, os primeiros contactos dos alunos com o resumo decorrem, por um lado, da obrigação de resumir livros e, por outro, de efetuar trabalhos de pesquisa sobre um tema em particular.

O que é um resumo?

O resumo deve conter o essencial da informação dada pelo texto, reduzindo o número de palavras e eliminando as informações redundantes e as secundárias. É sempre escrito em função de um público particular.

Recontar um texto reflete a compreensão do leitor, resumi-lo revela, além disso, que ele é capaz de avaliar a informação. Num resumo é preciso tomar decisões sobre a importância relativa dos elementos, é necessário relacionar e hierarquizar, o que exige uma participação mais ativa do que apenas compreender.

As regras do resumo

As regras que o bom leitor utiliza, muitas vezes inconscientemente, para identificar a informação importante de um texto são as seguintes:

A. Eliminação

1. Eliminar a informação secundária.

2. Eliminar a informação redundante.

B. Substituição

1. Substituir uma lista de elementos por um termo englobante.

2. Substituir uma lista de ações por um termo englobante.

C. Macro seleção e invenção

1. Escolher a frase que contém a ideia principal.

2. Se não há uma frase que contenha a ideia principal, produzir uma.

Estas regras são as que se observam nos adultos e que evoluem constantemente do ensino básico ao universitário.

Porque é que é difícil resumir?

Quando os alunos têm que resumir um texto, a estratégia mais frequentemente utilizada é a de copiar-eliminar. Copiam grandes excertos e eliminam completamente certas partes. Todos os professores estão familiarizados com este tipo de comportamento. Mas porque é que os alunos recorrem a este tipo de estratégia? É porque não possuem o desenvolvimento intelectual necessário para proceder de outro modo, ou porque pensam ter feito um bom resumo?

Vários fatores podem influenciar o grau de sucesso dos alunos na tarefa de resumir um texto, entre eles a sua conceção da atividade, a sua dificuldade em aplicar as regras do resumo e a sua falta de experiência.

O ensino do resumo

Princípios gerais:

Compreender bem antes de resumir

O resumo depende da forma como o texto é lido. É necessário sensibilizar os alunos para o facto de que os textos narrativos e os textos informativos não serão lidos da mesma forma quando se trata de fazer um resumo. O sentido do texto narrativo toma forma, muitas vezes, no fim do texto; o sentido de um texto informativo constrói-se ao longo de toda a sua leitura.

O professor deve insistir no facto de que só uma leitura não basta para fazer um bom resumo. Os alunos hábeis demoram mais tempo a ler do que a escrever.

Tomar notas

É pertinente ensinar os alunos a tomarem notas e a assinalarem o texto, com o objetivo de o resumir. As notas permitem ao leitor lembrar-se do que foi lido, distinguir o essencial do acessório e situar as ideias às quais é necessário voltar mais tarde.

Identificar bem as ideias principais

O resumo está intimamente ligado à capacidade de identificar as ideias principais de um texto. Esta capacidade, no entanto, não está completamente dominada no fim do 1.º Ciclo. Será, pois, importante sensibilizar os alunos para as diferenças que existem entre a «ideia principal» e «ideia secundária».

Sequência de ensino ou gradação da atividade

A atividade de resumir um texto é complexa e necessita de um ensino gradual. Foi agrupada uma série de recomendações dirigidas aos professores de modo a tornar mais simples esta atividade para os alunos, desde o início.

Extensão do texto – Mesmo os alunos mais novos conseguirão efetuar um resumo se o texto for curto. Gradação: aumentar gradualmente a extensão do texto a resumir.

Tipos de texto – Os alunos mais novos resumem mais facilmente textos narrativos. Gradação: passar mais tarde a outros tipos de texto.

Complexidade do texto – Os primeiros textos a resumir devem conter conceitos familiares e sobretudo serem redigidos de modo a que as ideias principais estejam em relevo. Gradação: mais tarde, apresentar aos alunos textos mais complexos, contendo ideias principais implícitas.

Presença do texto – Os alunos mais novos resumirão mais facilmente um texto presente do que um de memória. A presença do texto pode, no entanto, incitar os alunos a utilizarem a estratégia copiar-eliminar. É preciso levá-los a escrever o resumo por palavras deles. Gradação: depois de ter deixado os alunos fazer o resumo com o texto presente, passar às composição de resumos sem recurso ao texto.

Público – No início, os alunos não têm que ter em conta um público, mas devem compreender que é importante resumir o texto completa e compreensivelmente. Gradação: mais tarde, os alunos poderão aprender a redigir resumos para outras pessoas.

Extensão do resumo – No início o professor deve permitir que os alunos escrevam resumos relativamente longos. Nos primeiros resumos os alunos têm tendência para reescrever o texto, retirando apenas algumas informações. Gradação: exigir, em seguida, que o resumo seja cada vez mais curto.

O ensino explícito das regras do resumo

Diversos autores sugerem que se apresentem as regras do resumo aos alunos, ensinando-os explicitamente a utilizá-las. Para tal, projetam-se as regras uma a uma, acompanhando-as de textos curtos e de exemplos de aplicação.

Primeira regra – Não incluir pormenores inúteis, mesmo que sejam pormenores que lhes interessem. Exemplo:

A menina tinha uma coroa dourada sobre os cabelos cor de fogo aos caracóis. Na coroa estava escrito com tinta verde: Princesa Magda.

A menina tinha uma coroa onde estava escrito: Princesa Magda.

Segunda regra – Não repetir o que já se disse. Exemplo:

O Pedro estava muito zangado com o irmão. Estava furioso porque o irmão lhe tinha estragado a bicicleta.

O Pedro estava zangado com o irmão porque ele lhe tinha estragado a bicicleta.

Terceira regra – Empregar um termo genérico para substituir uma lista de objetos. Exemplo:

Carolina apanhou margaridas, papoilas e camélias.

Carolina apanhou flores.

Quarta regra – Utilizar uma palavra para descrever uma série de ações apresentadas numa ou em várias frases. Exemplo:

E eu via-a encarquilhar-se, a definhar, a perder volume, a desfazer-se, como se fosse desaparecer…

Ela ia enfraquecendo.

As noções de ideia principal e de resumo são fundamentais na leitura. De facto, uma boa parte do nosso ensino da compreensão consiste em levar o aluno a extrair o que é importante num texto. A capacidade para identificar as ideias importantes e para resumir um texto desenvolvem-se gradualmente e não se deve esperar que estejam dominadas no final do 1.º ciclo. No entanto, é possível sensibilizar pouco a pouco os alunos para estas noções, ajustando as exigências da atividade às suas próprias capacidades.

GIASSON, Jocelyne - A compreensão na leitura. Porto: Edições Asa, 1993.