Biblioteca da Escola Básica e Secundária

Matemática

O que vamos ler

A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo, Stieg Larsson

«Assimilara, com um prazer nunca desmentido, Arquime-des, Newton, Martin Gardner e uma dúzia de outros matemáticos clássicos.

E então chegara ao capítulo sobre Pierre de Fermat, cujo enigma matemático, o «Último teorema de Fermat», a trazia baralhada havia sete semanas. Um período de tempo negligenciável, tendo em conta que Fermat dera com os matemáticos em doidos durante quase 400 anos até que, em 1993, um inglês chamado Andrew Wiles conseguira solucionar o mistério».

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Pierre de Fermat (1601–1665)

Filho de um abastado mercador de cabedais, Pierre de Fermat nasceu no sul de França. Sendo um miúdo esperto, que não demonstrava qualquer afinidade particular pela matemática, foi encorajado pela família a entrar para a função pública francesa, nas fileiras da qual ascendeu à posição de juiz de Luís XIV. Durante o dia condenava criminosos a arder na fogueira. Durante a noite passava a maior parte do tempo isolado, porque a lei francesa o desencorajava de conviver socialmente com pessoas que pudesse vir a confrontar em tribunal. A vida noturna de eremita adequava-se-lhe bem. Estudava atentamente textos de história e ciência antigos e descobriu o mundo da matemática. Os números em breve demonstraram ser a sua principal ocupação noturna. Apesar das consideráveis capacidades matemáticas de Fermat, ter-lhe-ia sido difícil ganhar a vida como matemático. No início do século XVII, quando a Europa estava a emergir da idade das trevas, a matemática não era considerada uma profissão nobre. Os que se sentiam inclinados para a matemática procuravam emprego como contabilistas, trabalhando em segredo nos assuntos financeiros dos comerciantes abastados. A tradição do trabalho clandestino espalhou-se e Fermat não era exceção. Tendia a guardar para si próprio as suas descobertas matemáticas.

Em 1637, Pierre de Fermat estava a ler uma tradução para Latim de Aritmética, um tratado da teoria dos números escrito pelo misterioso Diofanto. Esta obra consistia, originalmente, em treze livros, mas apenas seis sobreviveram até aos tempos modernos. É possível que alguns dos volumes se tenham perdido nos dois incêndios que consumiram a Biblioteca de Alexandria, mas os que conseguiram sobreviver são verdadeiras pérolas. Mostram que Diofanto era ainda mais conservador do que Pitágoras, pois preferia os números naturais. Era famoso por resolver problemas que tinham estes números como soluções.

Na margem da sua cópia de Aritmética, Fermat escreveu o seu último teorema e acrescentou o comentário: «Tenho uma demonstração verdadeiramente maravilhosa desta proposição, sendo esta margem demasiado estreita para a conter.» Fermat morreu em 1665 e o teorema tê-lo-ia acompanhado para a sepultura se o filho mais velho, que limpou o pó à cópia de Aritmética do pai, gasta pelo uso, não tivesse publicado as notas marginais em 1670.

Curiosamente, os nomes dos homens e mulheres que tentaram demonstrar o último teorema de Fermat ao longo dos séculos fazem parte da elite do mundo da matemática. O grande Leonhard Euler caiu sob o feitiço do problema, mas, frustrado pela falta de progressos, enviou em 1742 um amigo à velha casa de Fermat para procurar algo que não tivesse cabido na margem.

HOFFMAN, Paul - O homem que só gostava de números. Gradiva, 2000.