Biblioteca da Escola Básica e Secundária

História

Glossário

Bastardos

Filhos nascidos de uma relação extraconjugal; ilegítimos.

Cavaleiros da Távola Redonda

Homens premiados com a mais alta ordem da Cavalaria, na corte do Rei Artur. A Távola Redonda, ao redor da qual se reuniam, foi criada com este formato para que não tivesse cabeceira, representando a igualdade de todos os seus membros.

Clero

Classe ou ordem religiosa.

Corte

Residência de um soberano; conjunto de pessoas que aí residem.

Estuário

Alargamento do leito de um rio, perto ou junto da sua foz, o que permite a fácil entrada das águas do mar e dá lugar, geralmente, à formação de bons portos naturais.

Investidura

Ato de dar posse formalmente, de empossar alguém num cargo ou função.

Nobiliárquicos

Relacionado com a nobreza, relativo às suas origens, tradições, apelidos...

D. Nuno Álvares Pereira, o grande Condestável de Portugal

D. Nuno nasceu a 24 de junho de 1360 no Paço de Cernache do Bonjardim, perto da Sertã. O pai chamava-se Álvaro Gonçalves Pereira e pertencia ao clero, era Prior da Ordem Militar de S. João do Hospital, os Hospitalários, que tinham a sua sede no Crato. A condição não lhe permitia casar, mas teve trinta e dois filhos bastardos, dezassete rapazes e quinze raparigas de várias mulheres.

A mãe, Iria Gonçalves do Carvalhal, frequentava a corte e fazia parte das damas que acompanhavam a princesa D. Beatriz. Foi uma das mulheres que D. Álvaro mais amou e com quem viveu durante mais tempo. Dela teve nove filhos.

Em criança D. Nuno já revelava qualidades notáveis. Segundo consta, mal aprendeu a ler debruçou-se sobre os livros de cavalaria mais conhecidos na época, como as histórias do rei Artur e dos cavaleiros da Távola Redonda.

Quando tinha 13 anos, o pai apresentou-o à corte do rei D. Fernando e de D. Leonor Teles. A rainha ficou encantada com o jovem e decidiu armá-lo cavaleiro.

A cerimónia de investidura decorreu em Santarém nas vésperas de uma guerra entre D. Fernando e o rei de Castela.

Três anos depois, o pai convenceu-o a casar com uma rapariga chamada Leonor Alvim, já viúva e com boas propriedades entre Douro e Minho. A ideia não lhe agradou, mas acabou por aceitar. O casamento realizou-se no dia 15 de agosto de 1376, no lugar de Vila Nova, com a presença do rei e da rainha. O casal passou a noite de núpcias no Paço de Bonjardim e alguns dias depois seguiu para as quintas de entre Douro e Minho, mas a vida pacata de proprietário não satisfazia D. Nuno. Sempre sonhara combater, participar em torneios e preparar-se para a guerra.

O casal teve dois filhos que morreram à nascença e uma menina batizada com o nome de Beatriz, a quem estava reservado um futuro invulgarmente risonho.

Três anos após o casamento, D. Álvaro morreu. O rei D. Fernando enviou uma carta a D. Nuno pedindo-lhe que deixasse o Minho para ajudar as tropas que patrulhavam a fronteira alentejana. D. Nuno obedeceu com grande entusiasmo.

Ainda no tempo de D. Fernando, no mês de agosto de 1382, a frota castelhana entrou no estuário do Tejo para atacar Lisboa. O rei, que precisava de reforços, mandou chamar para junto de si os homens em quem mais confiava. Um deles foi D. Nuno, que enfrentou os castelhanos de uma forma destemida e ousada. Os seus feitos e a sua coragem iam-se tornando motivo de conversa, passando de boca em boca, alicerçando a sua fama.

A vida de D. Nuno Álvares Pereira transformou-se completamente depois da morte do rei D. Fernando. Os irmãos tomaram o partido de D. Beatriz, casada com o rei de Castela, mas ele colocou-se desde o início ao lado do Mestre de Avis.

Ao serviço da causa do Mestre, multiplicou-se por todo o país. Foi ele o estratega e o vencedor da Batalha dos Atoleiros. Foi ele também um dos participantes nas cortes de Coimbra que colocaram no trono D. João I. O novo rei elevou-o à categoria de Condestável e nessa qualidade comandou brilhantemente as tropas que venceram a extraordinária Batalha de Aljubarrota.

D. Nuno manteve-se ativo à frente do exército enquanto duravam os conflitos, só abandonando a vida militar depois da paz assinada com Castela em 1411.

D. João I sabia o que lhe devia. Admirava-o, estimava-o, tendo-lhe atribuído vários títulos nobiliárquicos.

Terminada a época das batalhas, D. Nuno iria dedicar-se à vida religiosa. Fundara o Convento do Carmo em Lisboa, entrou para a Ordem tomando o nome de Frei Nuno de Santa Maria e nunca mais abandonou o hábito até à hora da morte, no dia 1 de abril de 1431.

Ao longo dos séculos a sua personalidade austera e decidida, a coragem de que sempre deu provas no campo de batalha e o génio de estratega militar serviram de inspiração a poetas, escritores, dramaturgos e artistas plásticos.

Magalhães, Ana Maria; Alçada, Isabel - A batalha de Aljubarrota: histórias e lendas. Fundação Batalha de Aljubarrota. (Adaptado)