Ilustração: Frédérique Vayssières

Biblioteca da Escola Básica e Secundária

História de Portugal

Glossário

D. Carlos I

D. Carlos nasceu em Lisboa, no Palácio da Ajuda, a 28 de setembro de 1863. Casou-se com D. Amélia de Orleães, de quem teve dois filhos: o príncipe Luís Filipe e o infante D. Manuel, que viria a ser o último rei de Portugal. D. Carlos não foi capaz de resolver os graves problemas políticos e a 1 de fevereiro, quando a família real regressava de Vila Viçosa, sofreu um atentado em pleno Terreiro do Paço.

D. Manuel II

Nasceu no palácio de Belém em março de 1889. Era o segundo filho do rei D. Carlos e da rainha D. Amélia. Em 1908, o seu pai e o irmão mais velho, Luís Filipe, foram assassinados e D. Manuel II assumiu o trono. Porém, acabou por ter um reinado curto. Em 1910, foi proclamada a República e o rei foi obrigado a exilar-se. Morreu em Inglaterra, em julho de 1932.

Monarquia

Exercício do poder por um soberano ou monarca; regime político em que o chefe de Estado é um rei ou um imperador, em geral hereditário.

República

Sistema político caracterizado pela partilha do poder delegado pela sociedade nos seus representantes eleitos para o exercício do governo da nação.

Teófilo Braga

Foi político, escritor e ensaísta. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, fixou-se em Lisboa em 1872. A 28 de agosto de 1910, foi eleito deputado e, em outubro do mesmo ano, tornou-se presidente do Governo Provisório.

Dia da Implantação da República: 5 de Outubro

Ilustração: Adam LarkumA 5 de outubro comemora-se a proclamação da república, nome dado à forma de governo que atualmente existe em Portugal. No entanto, nem sempre foi assim.

Até 1910, Portugal tinha sido governado por um rei, mas, nos finais do século XIX, o povo já não acreditava que ele fosse capaz de resolver os graves problemas que o país enfrentava. As ideias de um grupo de revolucionários defensores do governo republicano começaram a impor-se, tal como acontecia noutros países da Europa.

Deu-se então um acontecimento decisivo – o regicídio do rei D. Carlos, a 1 de fevereiro de 1908, que vitimou também o príncipe herdeiro. D. Manuel sucedeu ao pai, mas reinou apenas por dois anos.

Na manhã do dia 5 de outubro de 1910, foi proclamada a república, pondo fim a um longo período da história de Portugal. O governante passou então a ser escolhido pelo povo.

Teófilo Braga conduziu os destinos do país até à entrada em vigor da primeira Constituição da República. O primeiro presidente da república eleito pelo voto do povo foi Manuel de Arriaga.

Como símbolos da república, surgiram uma nova bandeira e o hino nacional que hoje conhecemos.

5 de Outubro de 1910: o fim da monarquia

Após o atentado que vitimou o rei D. Carlos e o príncipe D. Luís Filipe, a 1 de fevereiro de 1908, formou-se um novo governo com elementos de vários partidos, incluindo republicanos. Porém, o ambiente não melhorou e surgiram boatos de atentados contra D. Manuel II, o novo monarca.

Portugal estava em crise e a monarquia também, o que contribuiu para que os governos não durassem. O Partido Republicano continuava a exigir a D. Manuel II que proclamasse a república.

O clima era tão instável que, em 1909, se começou a pensar na revolução armada, mas a revolta só aconteceria na noite de 3 de outubro do ano seguinte, com os republicanos a ocuparem algumas unidades de infantaria, artilharia e marinha.

A monarquia há muito que se tinha apercebido das movimentações republicanas, mas possuía um exército mal preparado e pouco motivado para combater, o que deixava adivinhar uma possível derrota.

No dia 3 de outubro começaram os combates e, no dia seguinte, corriam pela capital vários boatos, anunciando vitórias e derrotas para ambas as frações. A 4 de outubro o monárquicos atacaram os republicanos e, ao fim da tarde, os navios dos revoltosos abriram fogo sobre o Rossio.

Entretanto, as notícias do que se passava nas ruas já tinham chegado a D. Manuel II. Quando a residência da família real foi bombardeada, viu-se obrigado a refugiar-se em Mafra.

No dia 5 de outubro, os republicanos subiram à varanda da câmara municipal de Lisboa para anunciarem a implantação da república. Ali estavam os seus grandes mentores: José Relvas, membro influente do Partido Republicano; Manuel de Arriaga, que viria a ser o primeiro presidente da república eleito; e Teófilo Braga, fundador do partido e o presidente do Governo Provisório Republicano instalado em 1910.

Quando soube da notícia, D. Manuel II embarcou rumo ao Porto, mas como as probabilidades de ser preso eram grandes, viu-se obrigado a abandonar o país e a exilar-se em Gibraltar. Tinha caído a monarquia.

Decorria o ano de 1910 e, a 5 de outubro, cantava-se pela primeira vez o nosso hino, A Portuguesa.

Referências bibliográficas

ALMEIDA, Paula Cardoso - O fim da monarquia: 5 de Outubro de 1910. Quidnovi, 2007.

CARVALHAS, Maria Lúcia - Sabes que dia é hoje? Everest, 2008.