Biblioteca da Escola Básica e Secundária

História

Glossário

Operação Reinhard

Nome dado ao plano iniciado em 1942 pelo governo nazi alemão para exterminar os judeus polacos e tomar posse dos seus bens.

Resistência

Movimento que, durante a Segunda Guerra Mundial, lutava contra a ocupação nazi.

Sublevação

Movimento de revolta; rebelião, insurreição.

 

O que vamos ler

Fumo, OQO. Texto de Antón Fortes com ilustrações da polaca Joanna Concejo.

Os segredos de Sobibor: a história por revelar

Após a revolta no campo de extermínio de Sobibor, no interior da floresta polaca, os nazis queimaram, fizeram explodir e enterraram o local. Mas os sobreviventes, as testemunhas e um grupo de cientistas estão a descobrir uma verdade cruel.

Sobibor foi o segundo centro de extermínio construído como parte da Operação Reinhard. Foi edificado ao longo da linha férrea Chelm-Wlodawa, numa região arborizada, pantanosa e pouco povoada.

Os prisioneiros eram enviados para o campo em comboios de carga. Pelo menos 167000 pessoas estavam na lista de transporte. Desciam e duas horas depois o que restava delas era cinza.

Modelo de Sobibor que faz parte da exposição permanente do Museu do Holocausto em Los AngelesOs passageiros que desembarcavam eram submetidos a vários procedimentos: a divisão por sexo, a entrega das malas, o despir de todas as roupas, o cortar do cabelo às mulheres e o confiscar de bens e valores. A caminho das câmaras de gás, as vítimas passavam por armazéns, uma casa de floresta, uma área cultivada com estábulos e uma pequena capela católica. O extermínio acontecia na parte noroeste do campo, mais isolada.

Quando as câmaras estavam cheias, o gás era lançado pelas condutas, asfixiando as vítimas em 20 ou 30 minutos. Antes de serem cremados e enterrados, os corpos eram examinados e os dentes de ouro retirados.

Sobibor foi também o local da única revolta bem sucedida de prisioneiros num campo deste tipo. A sublevação deveu-se a oficiais do Exército Soviético Judeu, presos em 1943. Bem treinados e em forma, formaram o «coração» da revolta.

Onze oficiais das SS foram atraídos para os armazéns e atacados pelos prisioneiros. Ao anoitecer, mais de metade dos prisioneiros – cerca de 300 – tinha conseguido fugir. A maioria foi morta pelos perseguidores nazis ou pelas minas. Após a revolta, alguns juntaram-se à Resistência, outros encontraram abrigo graças a polacos cooperantes, mas estima-se que apenas 50 dos fugitivos tenham sobrevivido à guerra.

As notícias, que chegaram ao quartel-general alemão com algum atraso por causa do corte dos telefones, causaram pânico. O campo foi desmantelado e coberto com terra e árvores para dar a impressão de que nunca tinha existido. Os oficiais nazis receavam que a revolta alastrasse a outros campos e se instalasse o caos. No entanto, a sua tentativa de esconder o que aconteceu deu aos arqueólogos a melhor prova do seu crime – um local por explorar.

Em 2008, uma equipa constituída por um arqueólogo, um historiador do Holocausto, um intelectual judeu e um geofísico examinou o local. Ao tirarem fotografias aéreas ao campo relvado, os investigadores aperceberam-se imediatamente das diferentes tonalidades de verde. Associaram as zonas mais escuras às valas comuns, porque as cinzas são excelentes fertilizantes. Como as cinzas de uma pessoa não ocupam mais do que uma chávena de chá, aperceberam-se de que estavam perante centenas de milhares de pessoas.

O trabalho dos investigadores é um documento para a próxima geração sobre o que aconteceu em Sobibor e a tentativa nazi de apagar a História.

FELSON, Leonard - Os segredos de Sobibor.
Selecções do Reader's Digest. N.º 474 (2010), p. 126-140.