Biblioteca da Escola Básica e Secundária

História

Glossário

Cortina de Ferro

Expressão usada para designar a divisão da Europa em duas partes, a Europa Oriental e a Europa Ocidental como áreas de influência político-económica distintas, no pós Segunda Guerra Mundial. Durante este período, conhecido como Guerra Fria, a Europa Oriental esteve sob o controle político e/ou influência da União Soviética, enquanto a Europa Ocidental esteve sob o controle político e/ou influência dos Estados Unidos.

Regime totalitário

Sistema político no qual o Estado, normalmente sob o controle de uma única pessoa, político, fação ou classe, não reconhece limites à sua autoridade e se esforça para regulamentar todos os aspetos da vida pública e privada, sempre que possível.

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Morrer a rir com piadas russas

Como os soviéticos usaram o humor para suportar a rigidez e os equívocos dos seus dirigentes

O cineasta e historiador britânico Ben Lewis investigou a abrangência e o poder das anekdoty (anedota, em russo). Durante dois anos viajou por países da antiga Cortina de Ferro, como a Hungria, a Polónia, a Roménia e a Rússia, para tentar traçar a origem do humor sob o comunismo.

«O comunismo é o único sistema político que criou a sua marca internacional de comédia», afirma Lewis. Todos os dias havia uma nova piada em circulação, embora quem a contasse corresse o risco de ser preso ou enviado para um campo de trabalhos forçados, o gulag.

Christie Davies, professor da Universidade de Reading, na Inglaterra, afirma que «o maior corpus de piadas que existe ridicularizando governantes e um sistema político vem da antiga União Soviética e dos países que, na Europa oriental, viviam sob regimes comunistas».

Entre os motivos para que o humor fosse digno de análise está o facto de abranger todos os aspetos da vida quotidiana. Da compra de pão às decisões dos líderes, tudo se transformava numa anedota.

Milhões de cidadãos do bloco soviético consideravam as piadas um ato de rebelião. O poder do humor era visto de tal forma que muitas pessoas afirmavam que o humor tinha derrubado o comunismo.

A anedota era a única arma disponível para aqueles que viviam sob um regime totalitário, mas, por disseminarem as piadas, inúmeras pessoas foram presas pela polícia secreta. A sentença usual era de cinco anos.

Humor proibido

Uma delegação da Geórgia visita Estaline, no seu escritório. Assim que a reunião termina, o ditador começa a procurar o cachimbo. Abre gavetas, mexe nos papéis e nada. Grita então para o chefe da polícia secreta, Lavrenti Beria:

— Perdi o meu cachimbo. Pergunte aos elementos da delegação georgiana se alguém ficou com ele.

Cinco minutos depois, Estaline encontra o cachimbo debaixo da secretária e chama Beria de novo:

— Tudo bem, encontrei meu cachimbo. Pode libertar os georgianos.

— Tarde demais. — Beria responde — Metade da delegação confessou ter ficado com o cachimbo e a outra metade morreu durante o interrogatório.

Quais foram as últimas palavras do poeta Maiakovski antes de cometer suicídio?

«Camaradas, não disparem!»

Porque é que os guardas da Volkspolizei (a polícia da Alemanha Oriental) andam sempre em grupos de três? Um saber ler, um sabe escrever e o outro fica de olho nos dois intelectuais.

A estação de Liski liga para Moscovo:

— Camarada Lenine, envie imediatamente dois tanques de álcool de cereais para a estação de Liski.

— Para quê, camarada Trotsky?

— Os camponeses estão a ficar sóbrios e querem saber porque é que o czar foi deposto.

Fonte: RODRIGUEZ, Diogo Antonio - Morrer de rir com piadas russas [Em linha]. Guia do Estudante. [Consult. 25-03-2014]. Acessível em: <guiadoestudante.abril.com.br>