Biblioteca da Escola Básica e Secundária

A história da astronomia e do espaço

Quando olhas para o céu à noite, não vês só as estrelas. A escuridão do espaço está repleta de objetos de todos os tamanhos e formas, desde gigantescas e incandescentes estrelas a minúsculas partículas de pó. Este livro explora os segredos da astronomia — a ciência que estuda os céus.

 

Olhar para o passado

Surpreendentemente, algumas das coisas que os astrónomos estudam — e que são observáveis no céu noturno — já não existem. À primeira vista, parece desconcertante, mas é assim que as coisas funcionam… Como tudo no universo, as estrelas acabam por morrer e algumas até explodem. Ora, a luz de uma estrela pode levar anos a alcançar-nos através das vastas distâncias do espaço. Quando efetivamente chega, a estrela para a qual pensamos estar a olhar poderá já ter explodido. É como ouvir o eco de alguém a gritar. Embora já não esteja a gritar, ainda é audível. Isto significa que os astrónomos podem literalmente olhar para o passado e ver como era o universo. Estudar a luz das estrelas há muito desaparecidas ajudou os cientistas a formular teorias sobre o começo do universo.

A Via Látea e outras galáxias

Todas as estelas que vislumbramos no céu noturno sem recurso a um telescópio potente integram um grupo — ou galáxia — batizado de Via Látea.

À vista desarmada, algumas outras galáxias brilhantes são visíveis como rastros ou nuvens de luz, mas não se consegue discernir estrelas individuais. As outras galáxias só podem ser observadas com telescópios potentes.

Existem milhões e milhões de galáxias no universo, cada uma com milhares de milhões de estrelas.

Numa galáxia há muito, muito tempo

A luz das estrelas leva anos a chegar até nós, pelo que quando as observamos estamos a olhar para o passado. Mas estamos a falar de quanto tempo passado?

As estrelas mais remotas na nossa galáxia estão a 100 mil anos-luz de distância, pelo que a luz dessas estrelas terá iniciado a sua viagem muito antes do início da história.

Uma galáxia que, por vezes, é percetível à vista desarmada, a Andrómeda, está a 2,5 milhões de anos-luz de distância. Quando a luz atinge os nossos olhos, estamos a vê-la como era há 2,5 milhões de anos.

De pequenos aglutinados a gigantes moribundos

Todas as estrelas iniciam as suas vidas numa vasta nuvem de gás e poeira chamada nebulosa. À medida que estas nuvens se revolvem no espaço, formam-se pequenos agregados no seu interior. Quando um agregado evolui para uma bola gigante, desencadeiam-se reações explosivas no núcleo denso e quente. Começa a arder intensamente e assim nasce uma estrela.

As estrelas acabam por esgotar o seu combustível e arrefecer, mas isso pode levar muito tempo. Ao nosso Sol, por exemplo, restam cerca de quatro mil milhões de anos de combustível.

Na sua maioria, as estrelas expandem-se, transformando-se em gigantes vermelhas ao arrefecer. Estrelas com uma dimensão aproximada da do nosso Sol contraem-se em «anãs brancas». Mas é um final sereno. As anãs brancas arrefecem e morrem discretamente.

As estrelas maiores – mais de uma vez e meia a massa do Sol – têm um final mais dramático, explodindo numa espetacular supernova.