Biblioteca da Escola Básica e Secundária

As forças fatais

Neste livro, vais descobrir o atrito, a força centrífuga, a força da gravidade e outras coisas igualmente estranhas e perigosas. Nunca a ciência foi tão horrível!

Poderosas roldanas

Basicamente, a roldana consiste numa roda pendurada acima do chão com uma corda a passar por ela. Esta muda a direção da força. Assim, podes puxar a corda e elevar algo ligado à outra extremidade.

Acrescenta outra roda à primeira e é ainda mais fácil. Ao puxar a corda a uma distância maior, distribuis o esforço e, por isso, parece mais fácil levantar a carga. Hoje em dia encontras roldanas em gruas e elevadores. Então, a quem devemos agradecer por esta fantástica invenção? A um génio grego chamado Arquimedes.

Arquimedes tinha um pequeno problema. O seu parente Hierão pediu-lhe para puxar um navio de tamanho natural pela praia em direção ao mar, sem ajuda!

Hierão era o rei local – Hierão II de Siracusa, para ser mais exato. E não se recusa nada à realeza, mesmo que sejam da família.

Arquimedes já tinha percebido a matemática das alavancas e afirmava que, com uma alavanca suficientemente grande, podia levantar o mundo. Hierão pensou que se devia ensinar uma lição ao esperto do seu parente. Assim, atribuiu-lhe deliberadamente uma tarefa impossível.

Arquimedes chegou à conclusão de que a solução era tão original, tão cheia de força e tão fantástica, que nunca ninguém se tinha lembrado dela antes dele. Uma nova máquina. Entretanto, centenas de guardas mal-humorados puxavam o barco pela praia acima. Hierão ordenou-lhes que enchessem o navio de carga e disse a alguns deles para esperarem a bordo.

Arquimedes, em conjunto com mais alguns assistentes, passou as horas seguintes a montar a máquina. A história não registou o aspeto dela, mas deve ter consistido numa série de roldanas presas a estruturas de madeira, com a corda bem presa ao navio. Quando tudo ficou pronto, Arquimedes agarrou a ponta livre da corda. O seu aspeto era bastante franzino e frágil. Hierão não pôde resistir a rir-se à socapa enquanto Arquimedes arregaçava as mangas e pegava na corda.

Mas então o barco deslizou suavemente pela praia abaixo, movendo-se com uma suavidade quase fantasmagórica, como se estivesse a navegar num mar calmo. O povo que assistia não queria acreditar. As pessoas que estavam no barco tinham um ar assombrado e Hierão só acreditou no que estava a acontecer porque o viu com os seus próprios olhos.