Biblioteca da Escola Básica e Secundária

Física e Química

Glossário

Caltech

O Instituto de Tecnologia da Califórnia, conhecido por Caltech, é uma universidade privada, localizada em Pasadena.

Cornell

Universidade privada situada em Ithaca, Nova Iorque, fundada em 1865.

Los Alamos

Laboratório Nacional dos EUA, fundado durante a Segunda Guerra Mundial. Esteve envolvido no desenvolvimento e produção da bomba atómica.

Mecânica Quântica

Parte da Física que estuda e explica o comportamento das partículas quanta de energia. Explica-o estatisticamente, recorrendo ao cálculo das probabilidades.

MIT

O Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT) é um centro universitário de educação e pesquisa privado localizado em Cambridge, nos EUA. Assume-se como um dos líderes mundiais em ciência e tecnologia, bem como em administração, economia, linguística, ciência política e filosofia.

Princeton

Uma das universidades mais prestigiadas dos EUA.

Projeto Manhattan

Projeto desenvolvido pelos EUA com o apoio do Reino Unido e do Canadá, durante a Segunda Guerra Mundial, para conceber as primeiras armas nucleares. A pesquisa foi dirigida pelo físico J. Robert Oppenheimer.

Queens

Um dos 62 condados do Estado de Nova Iorque.

Richard P. Feynman

Albert Einstein e Richard Feynman tornaram-se ambos figuras emblemáticas no seio da comunidade científica e, posteriormente, junto do grande público devido aos seus extraordinários contributos científicos. Einstein fê-lo graças à sua Teoria da Relatividade Geral e Feynman devido a uma abordagem inovadora da Mecânica Quântica e à reformulação matemática do seu formalismo, como integrais sobre caminhos alternativos.

Ambos atingiram o estatuto de ícones, não apenas junto dos seus pares, mas também junto do público em geral, e isto numa base global. Uma das condições que lhes permitiu atingir esse estatuto foi a sua capacidade de comunicação, porque a ciência é também comunicação, com a comunidade científica e com o público.

Einstein e Feynman eram grandes comunicadores. As palestras de divulgação de Einstein das suas teorias Restrita e Geral da Relatividade e acerca da evolução da Física são notáveis pela sua simplicidade, perspicácia e concisão, bem como pela profundidade daí resultante. O mesmo se aplicava a Feynman.

Richard Phillips Feynman nasceu no dia 11 de maio de 1918, em Queens, Nova Iorque. Com o pai, aprendeu a reparar nas coisas que o rodeavam. A família tinha em casa a Enciclopédia Britânica, que o pai lhe lia em criança, tentando traduzir o texto para algo de concreto, próximo da sua realidade. Foi o pai que, sem qualquer tipo de pressão, fez despertar nele o interesse por todas as ciências. Feynman afirmaria, muitos anos mais tarde: «Fui, por assim dizer, apanhado – como alguém que recebeu algo de maravilhoso quando era criança e não cessa de o tentar reencontrar. Tal como uma criança, estou sempre expectante em relação às maravilhas que sei que vou encontrar.»

A mãe também exerceu uma enorme influência na sua vida. De uma forma particular, possuía um extraordinário sentido de humor e, com ela, aprendeu que as mais elevadas formas de discernimento a que podia aceder eram o riso e a compaixão humana.

O interesse de Feynman pela Física manifestou-se desde muito cedo. Quando a irmã tinha cinco anos, contratou-a como assistente de laboratório por dois cêntimos semanais. «O nosso mundo estava impregnado de física,» escreveu Joan Feynman. «Aprendi a esfregar os pés no tapete da entrada comprida e estreita do nosso apartamento e a descarregar depois a eletricidade estática tocando no candeeiro. Quando lavávamos a loiça, observávamos a espuma do sabão a traçar as linhas de corrente à superfície da água. Agitávamos uma colher dentro do chá para produzir belos remoinhos...»

Feynman viveu em Queens até aos 17 anos. Frequentou o MIT durante quatro anos e, em 1939, foi para Princeton, onde começou a trabalhar no Projecto Manhattan, mudando-se para Los Alamos em abril de 1943. O laboratório tinha sido instalado com o objetivo de desenvolver a primeira bomba atómica e constituiu algo de único ao reunir um enorme número de indivíduos com qualidades excecionais.

Após o final da Segunda Grande Guerra, no outono de 1946, aceitou um cargo em Cornell e, em 1951, mudou-se para Caltech, onde foi professor durante 35 anos. Quando alguém o procurava com um problema para resolver, tinha a capacidade rara de concentrar toda a força da sua incrível inteligência no problema que lhe apresentavam. Não interessava qual era o assunto; tudo constituía um desafio a ser compreendido e, geralmente, de uma forma totalmente inesperada. Abordava os problemas com a atitude de uma criança brilhante, livre das inibições do conhecimento anterior.

Em 1965, recebeu o Prémio Nobel da Física pelo seu trabalho na eletrodinâmica quântica. Concebeu, ainda, a ideia de computação quântica e participou na comissão que investigou o acidente do vaivém espacial Challenger em 1986.

Feynman assumia-se como cientista e apenas na sua área de especialidade. Nunca aceitou qualquer responsabilidade administrativa e deliciava-se com aquilo a que chamava a sua «irresponsabilidade». Afirmava que se uma pessoa era competente numa área, isso não significava necessariamente que fosse competente noutra.

Richard Feynman acreditava que «como cientistas cabe-nos a responsabilidade de estar a par do enorme progresso que advém da satisfatória filosofia da ignorância, do enorme progresso que é fruto da liberdade de pensamento, para proclamar o valor desta liberdade; para ensinar a não temer a dúvida, antes a acolhê-la e a discuti-la, e para exigir como dever nosso esta liberdade para todas as gerações vindouras».

Bibliografia

BROWN, Laurie M.; Ridgen, John S. - O melhor de Feynman. Lisboa: Gradiva, 1994.

FEYNMAN, Richard P. - «Está a brincar, Sr. Feynman!». Gradiva, 1998.

FEYNMAN, Richard P. - «Nem sempre a brincar, Sr. Feynman!». Lisboa: Gradiva, 1989.

SCHWEBER, Silvan S. - Einstein & Oppenheimer: o significado do génio. Lisboa: Bizâncio, 2010.

O que vamos ler

«Está a brincar, Sr. Feynman!» Retrato de um físico enquanto homem, de Richard P. Feynman