Biblioteca da Escola Básica e Secundária

Economia

Glossário

Altruísmo

Amor desinteressado pelo próximo; gosto de fazer bem aos outros.

Guru

Guia ou mentor espiritual.

Laissez-faire

Expressão-símbolo do liberalismo económico: o mercado deve funcionar livremente, sem interferência. Esta filosofia tornou-se dominante nos EUA e nos países ricos da Europa durante o final do século XIX até o início do século XX.

Liberalismo

Doutrina que preconiza a iniciativa individual, a livre concorrência e limita a intervenção do Estado no domínio da economia.

Usuários

Titulares do direito de uso.

Laissez-faire, a ideia de mercado livre

O economista escocês Adam Smith é tido como o fundador do liberalismo devido à publicação do livro A riqueza das nações, em 1776. Nesta obra afirmava que era a lei da oferta e da procura que estruturava o mercado. «O esforço natural de cada indivíduo para melhorar a sua própria condição» devia ser o fundamento de todos os sistemas políticos, económicos e morais.

Para Adam Smith, os impostos são prejudiciais: violam a liberdade individual e distorcem o natural funcionamento do mercado. Acreditava que o Estado devia intervir o menos possível na economia, pois os próprios interesses particulares conduziriam ao bem comum.

A longo prazo, a sua visão optimista do fluxo natural da riqueza dos mais ricos para os mais pobres provou ser falsa: a revolução industrial do século XIX e a «economia do conhecimento» do século XX criaram profundas desigualdades entre as várias classes e países. Porém, durante muito tempo, a fórmula de Adam Smith pareceu ser aplicável pelo menos em parte: os capitalistas da era industrial aumentaram os salários dos seus trabalhadores para estimular a procura e os economistas acreditaram poder erradicar a pobreza tal como a medicina esperava curar as doenças.

A riqueza das nações de Smith surgiu no ano da Declaração de Independência dos EUA. Para ele, os regulamentos imperiais que limitavam a liberdade comercial e industrial das colónias eram «uma evidente violação dos mais sagrados direitos da humanidade». Os EUA permaneceram um expoente máximo do liberalismo económico desde então e um exemplo claro de como o laissez-faire funciona.

A ideia de «interesse particular esclarecido» significa, na prática, que a ganância é benéfica. Smith não deixou espaço ao puro altruísmo. Julgou que os comerciantes e usuários serviam os seus semelhantes ao comprar barato e vender caro — eis uma das lacunas do seu raciocínio. Outro erro foi o facto de assumir que os indivíduos tinham boas intenções em relação ao mercado e ao bem comum. Contudo, a realidade tem demonstrado que as pessoas agem mais de forma irracional e impulsiva de que com bom senso. O mercado deixado à sua sorte cria assimetrias e um clima de insegurança.

Quando interpretados à letra, os princípios de Smith deixam até a educação, a religião, a medicina e o ambiente à mercê dos mercados. Os gurus transformam-se em empresários, as universidades em negócios e a saúde numa indústria.

O mundo continua desesperadamente em busca de uma «terceira via» entre a total desregulação dos mercados ou o seu controlo excessivo pelo Estado.

Fernández-armesto, Felipe - Ideias que mudaram o mundo.
Civilização, 2005.