Biblioteca da Escola Básica e Secundária

Economia

Glossário

Proliferar

Aumentar excessivamente.

Recessão

Baixa da atividade económica de um ou de vários países; diminuição da taxa de crescimento.

Socialismo

Doutrina política e económica que preconiza a coletivização das estruturas produtivas, o desaparecimento da propriedade privada e das classes sociais.

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Partilhar a riqueza: a ideia de economia de bem-estar social

Durante a maior parte do século XX, os países desenvolvidos oscilaram entre políticas económicas centradas no «planeamento» ou no «mercado» para enfrentar os graves problemas de crescimento. Entre as décadas de 1930 e 1970, as teorias defendidas por J. M. Keynes apresentaram-se como uma solução apelativa ao sugerir uma abordagem moderada do capitalismo.

Os anos de 1920 foram uma época de capitalismo liberal nas economias industrializadas. Os automóveis tornaram-se objeto de consumo massificado e as empresas de construção proliferaram.

As sociedades anónimas, cotadas em bolsa, tornaram-se impérios de milhões de acionistas. A expansão dos mercados parecia poder garantir a distribuição universal da riqueza. Porém, entre 1929 e 1933, assistiu-se ao colapso dos mercados bolsistas e à rutura dos sistemas bancários: o mundo entrara numa recessão profunda e duradoura.

Para recuperar a economia dos EUA, o presidente Franklin Roosevelt apresentou um ambicioso programa de investimentos públicos que designou de New Deal. Apesar de preservar o sistema capitalista, os seus opositores acusaram-no de cedência ao socialismo.

A abordagem teórica da recessão deveu-se a John Maynard Keynes, um economista britânico que questionou a ideia segundo a qual o mercado não poderia dar uma resposta «natural» aos níveis de produção e emprego que as sociedades exigem. Esta incapacidade teria duas origens: por um lado, a poupança imobiliza uma parte do capital disponível, tornando-o improdutivo; por outro, o mercado é extremamente vulnerável às expetativas, ou seja, nas fases otimistas os indivíduos consomem em excesso e em momentos de pessimismo limitam o consumo. O desemprego seria um mal completamente desnecessário. Através do investimento de rendimentos em infraestruturas públicas, os Estados poderiam fomentar o emprego e, simultaneamente, desenvolver o potencial das economias. Com o aumento das receitas fiscais, os investimentos seriam posteriormente amortizados.

A sua ideia foi exposta na obra de 1936, Teoria Geral Sobre o Emprego, o Juro e a Moeda. A sua aplicação prática apresentou bons resultados, fomentando o investimento público na maioria dos países, durante os 50 anos que se seguiram. No entanto, a partir da década de 1980, começou a ser objeto de grandes críticas por parte do sector privado da economia, que se sentia lesado pelos elevados impostos e pelo desperdício de dinheiros públicos em atividades improdutivas ou mal geridas.

O apagamento do papel do Estado e a desregulamentação da economia que se seguiram conduziram novamente a uma era de «capitalismo selvagem» com graves consequências a nível social e grande instabilidade económica.

Fernández-armesto, Felipe - Ideias que mudaram o mundo.
Civilização, 2005.