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A dimensão económica da literacia em Portugal

Por literacia entende-se a capacidade de compreender e aplicar informações impressas ou a partir de outros media. A literacia – o seu nível médio e a sua distribuição na população – tem desempenhado um papel central na criação da riqueza económica que permite aos cidadãos de muitos países da OCDE beneficiarem de padrões de vida elevados.

O capital humano – o conhecimento, as competências e outros atributos das pessoas suscetíveis de serem postos ao serviço da produção – constitui um importante impulsionador do crescimento económico e do desenvolvimento social equilibrado. A literacia é um elemento chave e determinante tanto do capital humano como do capital social.

Enquanto a procura de competências de literacia é impulsionada pelas mudanças na tecnologia e na organização social, a oferta de literacia é determinada pelas práticas quotidianas de leitura e pela aprendizagem ao longo de toda a vida.

As análises de dados baseadas nos estudos IALS e ALL estabeleceram, sem margem para dúvidas, que a literacia é um bem económico valioso. Os empregadores na maior parte dos países parecem ser capazes de identificar e de recompensar as competências de literacia. O seu efeito estimado nos salários e no emprego parece ser superior em economias onde a procura de competências é elevada e a oferta de competências apresenta qualidade variável.

Os adultos com baixas competências de literacia passam mais frequentemente por episódios de desemprego, recebem salários mais baixos, apresentam maiores probabilidades de serem pobres, têm uma saúde mais débil, socialmente são menos empenhados e têm um acesso menos frequente a oportunidades educativas do que os seus concidadãos com mais competências de literacia.

As análises do impacto da literacia no desempenho económico de Portugal durante os últimos 50 anos deixam poucas dúvidas de que o país pagou um preço significativo por não ter aumentado a oferta de competências de literacia ao dispor da economia. A estimativa do PIB per capita perdido representa uma enorme redução nos padrões de vida para a grande maioria dos cidadãos portugueses.

Para corrigir esta situação, será necessário um esforço concertado e coordenado, que: associe políticas educativas, sociais e económicas de uma forma que aumente a oferta das competências de literacia à saída do sistema escolar; reduza o número de adultos com baixas competências através da disponibilização de formação de qualificação; intensifique as necessidades de conhecimentos e de competências para o emprego, bem como a aplicação da literacia no trabalho; melhore a eficiência dos mercados que atribuem competências de literacia; aumente a procura social e económica para a aquisição e a utilização das competências de literacia.

Se não empreender esta ação concertada e coordenada, o país terá inevitavelmente taxas de crescimento económico e padrões de vida abaixo do seu potencial. Nesse caso, as indústrias portuguesas vão ter cada vez mais dificuldades em competir com os seus concorrentes europeus e de outros países estrangeiros. O desemprego vai aumentar, os salários e os benefícios vão diminuir e a desigualdade social nas questões que os portugueses mais valorizam – saúde, riqueza e sentido de pertença – vai aumentar.

Economicamente, o que está em causa para Portugal é muito importante. Em 2000, o PIB per capita português situava-se em 16034 dólares, um nível inferior, num total de 8320 dólares, à média de 15 países seus homólogos na área da OCDE. O dinheiro pode não comprar a felicidade, mas este montante de rendimentos perdidos proporcionaria um enorme aumento dos padrões de vida usufruídos pela maioria dos cidadãos de Portugal. A literacia é a chave para desbloquear esses benefícios.

A dimensão económica da literacia em Portugal: uma análise.
GEPE, 2009.