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Economia

Pordata – Base de Dados Portugal Contemporâneo

Na Pordata, existem milhares de estatísticas e indicadores sobre os mais diversos aspe-tos da realidade portuguesa. É possível executar consultas avançadas, efetuar cálculos e criar indicadores. Esta infor-mação é útil na promoção da literacia estatística, pois permite analisar e interpretar dados estatisticamente, de modo a avaliar criticamente a informação utilizada na vida diária. Pordata

 

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Mulheres fazem a diferença

Mais qualificadas, mais integradas no mercado de trabalho, decisivas no apoio à família — a mudança do papel das mulheres na sociedade portuguesa foi essencial na construção do perfil atual do país.

Na década de 1960, a maioria da população com mais de 15 anos não permaneceu na escola o tempo suficiente para completar, sequer, o nível escolar mais básico. O facto foi ainda mais evidente na população feminina, 72% da qual não terminou o 1.º ciclo.

Apesar das mudanças ocorridas nas últimas décadas, 10,3% da atual população portuguesa com 15 ou mais anos não completou qualquer grau de ensino. As mulheres, com 13,4%, e os mais idosos, são as faixas da população mais atingidas. A situação, ainda penalizadora para as mulheres, é explicada sobretudo pelo efeito da maior sobrevivência feminina — as mulheres vivem em média mais anos do que os homens e, portanto, o efeito estatístico das suas baixas qualificações permanece durante mais tempo. Na verdade, a escola foi uma aposta clara das novas gerações.

Em 2009, as mulheres obtiveram 52% dos graus de doutoramentos conferidos em Portugal, representaram 59% dos diplomados do ensino superior e 53% dos matriculados neste nível de ensino. Além disso, a população do sexo feminino apresentava níveis de abandono escolar precoce inferior à do sexo masculino. Em 2010, 33% dos homens entre os 18 e os 24 anos havia saído da escola sem concluir o secundário enquanto a percentagem de mulheres nesta situação se fixava nos 25%.

Quanto ao mercado de trabalho se, em 1974, 40% da população empregada era do sexo feminino, em 2010 as mulheres já representavam 47% dos empregados em território nacional. Com uma taxa de atividade feminina de 56% (dados de 2009), Portugal é um dos países da União Europeia onde a proporção de mulheres entre os 15 e os 64 anos inseridas no mercado de trabalho é mais elevada. Os setores relacionados com as funções do Estado Social são aqueles onde o predomínio estatístico das mulheres é particularmente evidente, como os da educação e da saúde — 77% dos docentes do ensino não-superior são mulheres.

Enquanto estas transformações ocorreram, verificou-se uma significativa redução do número médio de filhos por mulher (1,32) e um claro retardar do projeto de maternidade. A idade média de nascimento do primeiro filho é de 29 anos, cinco anos mais tarde, em média, que o observado no início dos anos 80.

As mulheres, no entanto, não deixaram de ter um papel crucial no espaço familiar. O apoio necessário aos ascendentes ainda vivos continua muito alicerçado nas mulheres. Em relação aos filhos, a sua presença também persiste muito elevada. Isso constata-se, por exemplo, pela análise da composição do crescente número de famílias monoparentais, nas quais são maioritárias as situações de mães com filhos — em 87% destes casos, o progenitor é do sexo feminino.

Assim, e sem prejuízo de continuarem a desempenhar alguns dos papéis que lhes eram tradicionais, as mulheres protagonizam algumas das mais decisivas transformações do Portugal contemporâneo.

ROSA, Maria João Valente; CHITAS, Paulo - Mulheres fazem a diferença. Visão [Em linha]. [consult. 19-10-2011]. Disponível na Internet: <http://aeiou.visao.pt/mulheres-fazem-a-diferenca=f608147>