Biblioteca da Escola Básica e Secundária

Economia

Glossário

Salário

O sal era, até ao início do século vinte, um importante conservante alimentar. A tal ponto chegava a sua importância, que foi usado como forma de pagamento no período romano, sendo esta a origem da palavra «salário».

Troca direta

Na sua forma original, o comércio fazia-se por troca direta de produtos. Atualmente, negoceia-se com recurso a um meio de troca indireta, o dinheiro.

O que eu preciso de saber sobre... Moeda

A moeda é fundamental para o funcionamento da economia. No início, havia trocas diretas, depois houve necessidade de utilizar determinados bens, que, pela sua raridade, fossem aceites (como o sal, o marfim, os metais preciosos, as tâmaras ou as conchas raras e valiosas). Depressa se verificou a dificuldade na troca de uns bens por outros, e revelou-se indispensável adotar uma medida comum de valores. A moeda é um instrumento geral de trocas. Mas as unidades monetárias são usadas, também, para avaliação do valor dos bens e constituem um instrumento de medida. Os banqueiros da Antiguidade e da Idade Média tinham como função primordial garantir a fiabilidade do peso e do valor das moedas em circulação. Nesse caso, estamos perante uma medida comum de valores. Da função de instrumento de trocas resulta, igualmente, a finalidade de reserva de valores.

CUNHAR MOEDA ERA DIREITO DOS SOBERANOS. Na segunda metade do século XVII, em Inglaterra, estabeleceu-se a liberdade de cunhagem, podendo qualquer particular detentor de ouro ou de prata transformá-los em moeda, cabendo ao Estado proceder, através da Casa da Moeda, a essa transformação.

Para chegarmos ao papel-moeda, temos de distinguir as seguintes fases: a moeda-papel surge com caráter excecional em resultado dos depósitos de metais preciosos nos bancos; a moeda-papel representativa circula, porque está suportada por uma cobertura de moeda metálica em reserva; a moeda fiduciária é suportada por uma parte da moeda metálica depositada – com base na confiança (fidutia) e na capacidade do sistema bancário de criar nova moeda; o papel-moeda tem inconvertibilidade e curso forçado – neste caso já não há ligação aos metais preciosos em reserva, havendo regras prudenciais e de confiança.

Hoje, o papel-moeda e as moedas divisionárias (metálicas) correspondem a uma pequena parte da circulação monetária, a maior parte da moeda disponível corresponde a moeda escritural ou bancária, isto é, aos saldos dos depósitos à ordem. A moeda escritural resulta, assim, da criação monetária pelo sistema bancário, correspondendo a operações de escrita, que são lançadas em conta corrente, apenas existindo movimentos em saldos, a crédito ou a débito. Além dos depósitos à ordem, temos os depósitos a prazo e com pré-aviso. Estes não constituem moeda, ainda que as pessoas contem com eles para os seus cálculos económicos.

OS CHEQUES E OS CARTÕES DE DÉBITO permitem a movimentação dos saldos dos depósitos à ordem, mas não constituem moeda. O cheque é, assim, uma ordem de pagamento.

O sistema tradicional do padrão ouro, em vigor no século XIX, entrou em colapso na I Grande Guerra, e foi restabelecido, de forma mitigada, entre 1925 e 1931 (na fórmula ouro-divisas). Em 1933, o presidente dos EUA F. D. Roosevelt nacionalizou o ouro na posse dos americanos e revogou os contratos com pagamentos especificados em ouro. Em 1944, reuniu-se em Bretton Woods, New Hampshire, a Conferência que lançaria o novo Sistema Monetário Internacional, no pós-Guerra, baseado no dólar e no ouro. Em 1971, o sistema foi substituído, porque o dólar tornou-se inconvertível.

Em 1998, os chefes de governo da CEE decidiram que a União Económica e Monetária (UEM) começaria a funcionar a 1 de janeiro de 1999, ocorrendo a introdução física do euro em 2002.

Martins, Guilherme D’Oliveira - Moeda. Visão. N.º 983 (2012).