Biblioteca da Escola Básica e Secundária

Economia

Glossário

Combustível fóssil

Grupo de substâncias formadas de compostos de carbono, usados para alimentar a combustão. O carvão mineral, o petróleo e o gás natural são combustíveis fósseis.

Energia renovável

Energia proveniente de recursos naturais, como o sol, o vento, a chuva e as marés, que são naturalmente reabastecidos.

Inexorável

Inflexível; implacável.

Ominoso

Agourento; funesto.

Plâncton

Conjunto de seres marinhos microscópicos e outros, flutuantes ou fracos nadadores, tanto animais como plantas, que são transportados passivamente pelas correntes marítimas.

 

# Quiz

O nosso desafio energético

O mundo começa a reconhecer a sua dependência dos combustíveis fósseis baratos e abundantes

A comodidade do fogo é também a sua maldição. Desde que os seres humanos aprenderam a dominar o calor, a luz e o poder das chamas, o seu desejo de possuir estas três formas de energia não parou de crescer. Um desejo incontrolado que conduziu a excessos perigosos e que produz agora consequências indesejadas. O carvão, o petróleo e o gás natural cobrem cerca de 80% das necessidades de energia do mundo e produzem a maioria das emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases com efeito de estufa que estão a aquecer o planeta. Segundo um relatório da Agência Internacional de Energia, a procura poderá aumentar quase 50% até ao ano 2030, com o consequente aumento das emissões, uma tendência que, se não se alterar, poderá elevar em 6°C a temperatura média mundial.

Estamos presos entre um subsolo esgotado e uma atmosfera sobreaquecida

Teremos de demonstrar perícia se quisermos sair daqui. O desfecho do dilema decidirá se este século passará à história como uma época de progresso continuado ou como o início de uma longa e inexorável decadência.

A energia não é apenas mais um elemento da nossa economia. Para todos os efeitos, ela é a economia. O economista John Maynard Keynes disse certa vez que o nível de vida da maioria da humanidade tinha, na melhor das hipóteses, duplicado no tempo decorrido desde os primórdios da espécie até ao início do século XVIII, quando aprendemos a usar carvão para operar as máquinas. A partir daí, foi como se tivéssemos esfregado uma lâmpada da qual saiu um génio disposto a trabalhar para nós a um preço razoável. Subitamente, no ocidente consumidor de energia, o nível de vida começou a duplicar com intervalos de algumas décadas.

Deixámos de depender exclusivamente da energia que podíamos captar. De repente, tínhamos à nossa disposição um capital enorme: os depósitos de fetos, plâncton e dinossauros acumulados durante milhões de anos, que o tempo havia comprimido até os converter em carvão, gás e petróleo. Éramos, quase literalmente, os felizes herdeiros de um antepassado abastado que morreu há muito tempo e cujo testamento acabava de ser revelado. E começámos a gastar sem pensar duas vezes. Esse esbanjamento converteu-nos no que somos. Cada uma das nossas revoluções (a industrial, a química, a eletrónica e até a da informação) é tributária desse novo sangue que corre agora nas veias da nossa economia. A revolução do consumo é porventura a que mais lhe deve. A nossa expansão urbanística descontrolada revelou-se a maneira definitiva de multiplicar o consumo de combustível. As casas cada vez maiores, com mais eletrodomésticos e ligadas entre si por carros cada vez maiores e mais vazios fizeram com que os contadores da eletricidade e das bombas de gasolina girassem mais rápido do que nunca. E qual foi a imagem que o nosso ocidente desenvolvido enviou para o resto do mundo através do cinema e da televisão? Precisamente a do conforto. Não é de estranhar que todos quisessem juntar-se à festa.

Agora, duas décadas depois de os meios de comunicação terem começado a falar do aquecimento global, estamos claramente à beira de uma série de pontos de inflexão. Os dados preveem um aumento rápido dos períodos secos e o consequente aumento de chuvas torrenciais e inundações, assim como uma expansão chocante dos mosquitos transmissores de doenças e uma redução drástica dos glaciares. Talvez mais ominosos ainda são os dados sobre os grandes campos de gelo da Gronelândia e do oeste da Antártida. Escavadas inferiormente por mares cada vez mais quentes, as camadas geladas estão a deslizar até ao oceano. Segundo estudos recentes, o nível do mar poderá aumentar dois metros no decurso deste século. Seria um duro teste para a civilização, porque devastaria a maioria das cidades costeiras do mundo.

O aquecimento do planeta, no entanto, não é um problema para o futuro, mas sim uma crise do presente. Reduzir os níveis de CO2 exigirá adotar medidas de uma magnitude difícil de imaginar. O abandono da economia dos combustíveis fósseis implicará a perda de enormes investimentos em tecnologia antiga à qual ainda restam várias décadas de vida útil. Teremos de deixar de resgatar instituições financeiras para começar a resgatar centrais térmicas de carvão. E a menos que alguém tenha um plano para convencer o mundo de que na realidade não necessita de frigoríficos, também teremos de encontrar outras fontes que nos ofereçam toda essa energia. Essa é a tarefa da nossa geração.

Energia: o grande dilema do nosso futuro. National Geographic Portugal. (2012).