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A Páginas Tantas

Eletromagnetismo: a força invisível que mudou o mundo

Michael Faraday por Josh Abraham.

No início do século XIX, a eletricidade era ainda um fenómeno misterioso. Sabia-se produzir faíscas e provocar choques, mas a possibilidade de existir uma ligação entre eletricidade e magnetismo permanecia por demonstrar. Em 1820, o físico dinamarquês Hans Christian Ørsted encontrou uma pista inesperada: ao aproximar uma bússola de um fio percorrido por corrente elétrica, verificou que a agulha se desviava. A corrente elétrica produzia um efeito magnético. Duas forças que pareciam não ter qualquer relação acabavam de revelar um segredo em comum.

A descoberta despertou a curiosidade de outros investigadores. Em 1821, o físico inglês Michael Faraday conseguiu fazer um fio percorrido por corrente elétrica girar em torno de um íman, demonstrando que a eletricidade podia produzir movimento. Dez anos depois, encontrou o fenómeno inverso: ao mover um íman através de uma bobina de fio condutor, conseguia gerar corrente elétrica. Este princípio viria a tornar possível a produção de eletricidade em larga escala.

Faraday imaginou que estas forças atuavam através de campos invisíveis, capazes de se estender pelo espaço e de interagir entre si. Não dispunha de formação matemática avançada para desenvolver plenamente as suas ideias, mas tinha uma extraordinária capacidade para visualizar fenómenos que não conseguia ver.

Foi o matemático escocês James Clerk Maxwell quem traduziu essas intuições em equações. Na década de 1860, mostrou que eletricidade e magnetismo eram manifestações de um mesmo fenómeno: o eletromagnetismo. Foi ainda mais longe. Os seus cálculos indicavam que as perturbações dos campos elétrico e magnético podiam propagar-se sob a forma de ondas à velocidade da luz. A luz, concluiu Maxwell, era também uma forma de radiação eletromagnética.

A partir daí, o conhecimento destas ondas não parou de crescer. Os cientistas descobriram radiações com comprimentos de onda muito diferentes, das ondas de rádio aos raios X, revelando que aquilo que os nossos olhos conseguem ver representa apenas uma pequena parte do espectro eletromagnético.

“If you wish to make an apple pie from scratch, you must first invent the universe.” – Carl Sagan