A Porta do Sol
Lenda de Valença
Conta-se que, há muitos séculos, vivia em Valença, então chamada Contrasta, um rei muito velho que tinha duas filhas: a princesa Contrasta e a sua irmã mais nova. Ambas eram belas e bondosas, e viviam rodeadas pela natureza verdejante daquela terra.
Um dia, um príncipe mouro apaixonou-se pela beleza de Contrasta. Decidido a conquistá-la, reuniu um poderoso exército e atacou o reino. Depois de muitas batalhas, o velho rei, incapaz de travar a invasão, refugiou-se nos jardins do palácio.
Ali, aconteceu algo extraordinário: as flores começaram a transformar-se em pedra, pétala a pétala, folha a folha. As pedras ergueram-se umas sobre as outras, formando muralhas imponentes que esconderam o rei e deram origem a uma fortaleza inexpugnável.
Furioso por não encontrar o rei nem as riquezas que procurava, o príncipe mouro preparava-se para partir quando encontrou a princesa mais nova. Sem piedade, matou-a com a espada.
A natureza, horrorizada com tamanha crueldade, respondeu de imediato. Os pássaros voaram sobre a princesa e anunciaram que ela seria a «Rainha do Sol». Nesse instante, o céu iluminou-se e milhares de raios envolveram o corpo da jovem. Quando a luz desapareceu, a princesa tinha-se transformado num belo portal, que ficou conhecido como Portas do Sol.
Ao ouvir os gritos da irmã, Contrasta correu em seu auxílio. Mas também ela foi vítima da violência do príncipe, que a deixou gravemente ferida debaixo de uma árvore. Enquanto as folhas lhe acariciavam o rosto, sussurravam que seria coroada, em memória da sua coragem e bondade.
Então, a natureza voltou a fazer justiça. As suas forças uniram-se e lançaram o príncipe mouro para o fundo do vale, transformando-o no rio Minho.