As bruxas do Caminho de Melim
Lenda de Valença
Havia, perto da Quebrada, no caminho para Melim, um terreno plano e muito extenso, conhecido por chã, que tinha muito má fama. O povo contava histórias misteriosas sobre o que ali acontecia, sobretudo ao cair da noite.
Um dia, uma mãe pediu aos filhos que fossem a Melim buscar uma carta do pai, que estava no Brasil. Antes de partirem, avisou-os:
— Meus filhos, não passem pela chã. Sigam pelo caminho de cima!
Mas os rapazes, com pressa de regressar com notícias do pai, não fizeram caso do conselho. À ida, ouviram dois estrondos, mas não viram ninguém. No regresso, porém, depararam-se com duas mulheres vestidas de vermelho, que dançavam e rodopiavam no caminho.
Assustados, reconheceram numa delas uma mulher que conheciam. Seriam bruxas? Os irmãos apressaram o passo, mas, por mais que subissem o caminho, as mulheres continuavam atrás deles. Só quando chegaram a casa conseguiram escapar às misteriosas perseguidoras.
Ao vê-los tão assustados, a mãe lembrou-lhes o aviso e contou-lhes que também ela já tinha visto bruxas naquele lugar.
Quando era jovem, ouvira seis mulheres combinarem uma viagem ao Brasil para se divertirem. O barqueiro que as levaria era o Diabo. Mas o barco não saía do lugar, por mais que ele tentasse. Só quando percebeu que uma das mulheres estava grávida conseguiu partir com todas a bordo.
Chegadas ao Brasil, as bruxas foram divertir-se. Antes de regressarem, uma delas apanhou às escondidas um pequeno ramo e ofereceu-o ao namorado. No dia seguinte, o rapaz levou-o ao peito para a missa.
À saída da igreja, as outras bruxas aproximaram-se e ameaçaram-no:
— Tira isso daí, ou não chegas ao fim do dia!
Aflito, o rapaz perguntou à namorada por que razão lhe dera o ramo. Ela respondeu que era para o guardar, não para o mostrar a toda a gente.
Desconfiado das ameaças e daquele segredo estranho, o jovem decidiu afastar-se dela.
E assim ficou a fama da chã onde, segundo os antigos, as bruxas se reuniam e de onde partiam para as suas misteriosas viagens.