Agrupamento de Escolas de Muralhas do Minho, Valença

O que vemos e o que imaginamos
Literacia visual | Leitura média: 1 min 40 s
Na biblioteca escolar, os alunos estão a desenvolver um projeto que os convida a fotografar outras crianças e a criar uma narrativa a partir da imagem. Cada fotografia revela um pouco de quem é retratado, mostrando aquilo que se deseja partilhar. Gradualmente, descobrem-se interesses, hábitos e facetas que nem sempre se manifestam na sala de aula.
Quando perguntamos às crianças do 5.º ano o que mais gostam de fazer, invariavelmente a resposta é: brincar.
Mesmo à medida que se aproximam da adolescência, a brincadeira continua a ocupar um lugar importante nas suas vidas. É aí que inventam situações, estabelecem relações e criam histórias. Recentemente, o psicanalista Eduardo Sá defendeu que brincar deveria ser elevado a património imaterial da humanidade, chamando a atenção para a importância de preservar o tempo livre na infância.
Como podemos aproximar a aprendizagem daquilo que as crianças fazem espontaneamente e com prazer?
Fotografar é também brincar com o olhar: o que queremos mostrar? O que fica fora da imagem? Que história poderá imaginar quem a observa?
Escrever uma legenda prolonga esta experiência. Uma imagem dá origem a uma descrição, a uma pequena narrativa ou a uma história inventada. A criança observa, imagina, procura palavras, organiza ideias e experimenta diferentes formas de comunicar.
Deste modo, a fotografia transforma-se numa oportunidade de aprendizagem que articula literacia visual, leitura e escrita, partindo dos interesses dos alunos.
Brincar, porém, não precisa de ter sempre uma finalidade pedagógica. O seu valor não depende daquilo que permite aprender. O desafio da escola é reconhecer as possibilidades educativas da brincadeira sem transformar cada momento de prazer num exercício.
Entretanto, continuamos a ver e a ouvir o que as crianças têm para nos contar.
Autores das fotografias: Martina Vieira; Íris Azevedo; Mateus Silva.
A Martina, do 6.º ano, tem novas propostas de atividades, mas vai guardá-las para o 2.º período. Disse-nos que o projeto que está a orientar neste momento lhe tem dado muito trabalho. Por sua vez, o Mateus contou-nos que é “um menino brilhante porque tem muitas ideias”.