Agrupamento de Escolas de Muralhas do Minho, Valença

Ver, escolher, fotografar
Olivia Arthur fotografou crianças que foram obrigadas a abandonar as suas casas e o seu país. Em colaboração com as famílias, procurou retratar a individualidade de cada uma, dando-lhes liberdade para escolher como queriam ser fotografadas. Algumas escolheram o seu peluche favorito, outras preferiram brincar ou fazer acrobacias.
É a partir desta ideia que, na biblioteca escolar, os alunos estão a participar numa atividade relacionada com a linguagem visual. Desta vez, são as crianças que fotografam outras crianças, seguindo o exemplo de Olivia Arthur: em vez de receberem instruções sobre o que fotografar, têm liberdade para decidir o que querem mostrar. Fixar o momento torna-se, assim, uma forma de olhar e fazer escolhas.
A composição, a luz e o foco são alguns dos recursos que podem utilizar para dirigir o olhar de quem observa e influenciar a interpretação das suas fotografias. Os alunos são convidados a descobrir pormenores, descodificar e tirar as suas próprias conclusões. Percebem também que uma fotografia pode contar uma história sem revelar tudo, ou despertar emoções nem sempre fáceis de verbalizar.
Esta aprendizagem é particularmente importante atualmente. Nas redes sociais, fotografias e vídeos circulam a grande velocidade, muitas vezes separados do contexto em que foram produzidos. Parar, observar e questionar aquilo que vemos ajuda-nos a ler as imagens de forma mais consciente.
Na atividade proposta pela biblioteca escolar, as crianças experimentam o outro lado da fotografia: deixam de ser apenas espetadoras e passam a ser fotógrafas. Ao escolherem o que mostrar e como o mostrar, descobrem que cada fotografia traduz um modo particular de olhar o mundo.