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Jornal Escolar AE Muralhas do Minho | 2023-2024


Os sons de Marte

Os sons captados em Marte pelo robô Perseverance, da NASA, confirmaram que os sons de alta frequência viajam mais rápido no “Planeta Vermelho”, um caso único.

Os dois microfones do Perseverance gravaram muitas horas de áudio e as gravações permitiram perceber a variabilidade da atmosfera do planeta, com mudanças rápidas do silêncio para rajadas de vento velozes. O Perseverance confirmou ainda que os sons de alta frequência – como assobios ou zumbidos de mosquitos – viajam mais rápido do que os de baixa frequência.

A equipa reduziu os sons recolhidos a uma playlist. Na maior parte do tempo, Marte é bastante calmo e silencioso. Os sons, para um emissor similar, são 20 decibéis mais baixos do que na Terra e há poucos barulhos naturais além do vento.

O som do vento em Marte

Para saber mais: NASA


Descobertas novas pistas sobre o interior de Marte

Astrofísica | 30-10-2023

A queda de um meteorito em Marte permitiu registar, pela primeira vez, ondas sísmicas a atravessar o núcleo do planeta.

O impacto de um meteorito em Marte, na região onde está a sonda InSight da NASA, provocou ondas sísmicas do outro lado do planeta, dando novas pistas sobre o interior profundo do “planeta vermelho” e motivando uma reavaliação da sua anatomia.

Os novos dados sísmicos indicam a presença de uma camada até agora desconhecida de rocha derretida em torno de um núcleo metálico líquido – o componente mais interno do planeta. O núcleo é menor e mais denso do que o previsto anteriormente, explicam os cientistas cujas descobertas foram publicadas na revista Nature.

As ondas criadas por sismos – incluindo as que são provocadas por impactos de meteoritos – variam na sua velocidade e forma quando viajam através de diferentes materiais no interior de um planeta. O instrumento sismógrafo da sonda InSight permitiu observar o que acontecia.

O comportamento das ondas sísmicas indica a presença, à volta do núcleo, de uma camada de silicato derretido com cerca de 150 quilómetros de espessura. Esta região fica na parte inferior do interior do planeta – o manto, uma camada rochosa entremeada pela crosta externa e o núcleo, que começa cerca de 1700 quilómetros abaixo da superfície.

O núcleo de Marte é composto por ferro, níquel e por elementos mais leves, como enxofre, oxigénio, carbono e hidrogénio. Os cientistas concluem que estes elementos mais leves constituirão entre 9% e 15% do núcleo em peso – um valor inferior ao que se estimava anteriormente.

Marte, o quarto planeta a contar do Sol, tem um diâmetro de cerca de 6791 quilómetros, quase metade do diâmetro da Terra. Em volume, a Terra é quase sete vezes maior e, ao contrário do “planeta vermelho”, não tem uma camada derretida ao redor do seu núcleo.

“If you wish to make an apple pie from scratch, you must first invent the universe.” – Carl Sagan