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Jornal Escolar AE Muralhas do Minho | 2025-2026
A pressão sobre o futuro
Lara Vaz, 11.º B | 19-02-2026
Nas redes sociais e até entre amigos, parece que todos já têm a vida planeada: sabem que curso querem, que profissão seguir e até onde querem trabalhar.
Hoje vou abordar um tema que afeta praticamente todos os alunos do ensino secundário: a pressão para escolher o futuro aos 16 ou 17 anos. Nessa idade, temos de escolher uma área, pensar em cursos superiores e, muitas vezes, parece que estamos a decidir o resto da nossa vida de uma só vez. Ao mesmo tempo, ouvimos constantemente perguntas como: “Então, já sabes o que queres ser?” ou “Que curso vais seguir?”. Estas perguntas que, à primeira vista, parecem simples, acabam por aumentar o peso das decisões que temos de tomar.
Sendo sincera, este nunca foi um tema que me tocasse muito. Desde cedo tive o meu futuro praticamente todo decidido e sempre soube, com relativa segurança, o caminho que queria seguir. No entanto, ao observar a situação do meu primo, que cresceu praticamente como eu e que, de repente, se viu perdido e pressionado para escolher algo que não tinha a certeza se queria, percebi a importância de falar sobre este assunto. Ver alguém próximo passar por essa indecisão e ansiedade fez-me compreender que esta realidade é muito mais comum e pesada do que eu imaginava.
Em primeiro lugar, é importante perceber de onde vem esta pressão. Muitas vezes, ela começa na família. Há pais que têm sonhos bem definidos para os filhos: cursos como Medicina, Engenharia ou Direito, ou simplesmente “um curso que dê dinheiro” e estabilidade. Mesmo quando não o dizem diretamente, os filhos sentem essa expectativa. Não querem desiludir quem sempre os apoiou, e isso pode levá-los a escolher determinados caminhos mais para corresponder às expectativas familiares do que por verdadeira vocação.
Depois, existe a pressão da escola e do próprio sistema de ensino. As notas, os testes, os exames nacionais e as médias criam a ideia de que um número define o nosso valor e o nosso futuro. Ainda no ensino básico temos de pensar na área que vamos escolher no secundário, e poucos anos depois já temos de decidir o curso superior. Este ritmo acelerado pode transformar a escola, que deveria ser um espaço de descoberta e aprendizagem, numa corrida exaustiva por médias e classificações.
Por fim, há também a pressão da sociedade e da comparação com os outros. Nas redes sociais e até entre amigos, parece que todos já têm a vida planeada: sabem que curso querem, que profissão seguir e até onde querem trabalhar. Quem ainda tem dúvidas pode sentir-se atrasado ou inferior, como se estivesse a falhar apenas por não ter tudo decidido. Esta comparação constante intensifica o medo de errar e a sensação de insegurança.
As consequências desta pressão são reais. Uma das principais é a ansiedade e o stress. Muitos jovens vivem preocupados com o futuro, com medo de tomar a decisão errada e com a sensação de estarem constantemente a ser avaliados. Isto pode afetar o sono, o humor e até o rendimento escolar. Outra consequência é fazer escolhas apenas para agradar aos outros. Há alunos que escolhem determinadas áreas não porque gostam, mas porque são vistas como mais seguras ou prestigiadas. Mais tarde, podem aperceber-se de que não se identificam com aquilo que estão a estudar.
O arrependimento também é frequente. Não é raro vermos alunos a mudar de área no secundário ou de curso no ensino superior. Isto demonstra que não é fácil decidir tão cedo e que a ideia de que temos de acertar logo à primeira é pouco realista. No fundo, não é justo esperar que alguém com 16 ou 17 anos tenha a vida inteira planeada e a certeza absoluta do que quer fazer.
Apesar disso, existem formas de lidar melhor com esta pressão. O autoconhecimento é fundamental. Parar para refletir sobre aquilo de que realmente gostamos, as disciplinas em que nos sentimos mais confortáveis e as atividades que nos despertam interesse pode ajudar a tomar decisões mais conscientes. Falar com professores, psicólogos da escola ou adultos de confiança também pode ser uma grande ajuda.
A informação é igualmente importante. Muitas vezes temos ideias vagas ou estereotipadas sobre determinados cursos e profissões. Pesquisar planos de estudo, saídas profissionais, falar com estudantes universitários e participar em feiras de ensino ou dias abertos pode esclarecer dúvidas e abrir horizontes. Conhecer melhor as opções permite-nos escolher com mais segurança.
Além disso, é essencial tirar um pouco do “drama” da escolha. Mudar de curso ou de profissão é possível e acontece com muitas pessoas. O mundo do trabalho está em constante mudança, surgem novas áreas e interesses diferentes ao longo da vida. A escolha feita aos 16 ou 17 anos não define para sempre quem somos, mas sim o próximo passo do nosso percurso.
O apoio dos adultos também faz toda a diferença. Pais e professores podem ajudar mais ouvindo e orientando do que impondo decisões. Quando os jovens se sentem compreendidos e apoiados, a pressão diminui e as escolhas tornam-se mais autênticas e equilibradas.
Em conclusão, a pressão para escolher o futuro é uma realidade que se faz sentir na família, na escola e na sociedade. Pode causar ansiedade, decisões pouco refletidas e até arrependimentos. No entanto, também pode ser uma oportunidade para nos conhecermos melhor e crescermos. Talvez devêssemos trocar a pergunta “O que vou ser para o resto da vida?” por outra mais simples e realista: “Qual é o próximo passo que faz realmente sentido para mim agora?”. Mais do que acertar à primeira, o importante é termos espaço para aprender, experimentar e, se necessário, mudar de caminho.
“Yesterday is not ours to recover, but tomorrow is ours to win or lose.” – Lyndon B. Johnson