Escolapress
Jornal Escolar AE Muralhas do Minho | 2025-2026
O Amor assassino
Carlos Passos, 11.º B | 30-03-2026

Eça de Queirós provavelmente sempre se questionou sobre o porquê do desenvolvimento do Mundo ser tão lento ou muitas vezes inexistente, e após uma longa reflexão e muita tinta utilizada escreveu a obra Os Maias, que nos mostra de diferentes perspetivas e situações o que realmente está a matar o desenvolvimento.
Pedro, Carlos e Ega são três personagens da obra Os Maias e, apesar de vidas distintas, acabaram por ter um aspeto em comum: são fisgados pela isca do amor que os levará à tragédia.
Pedro apaixonou-se por Maria Monforte, à primeira vista, e desde esse momento escrevia-lhe cartas, observava-a à janela, completamente enlouquecido pelo amor. Apesar de serem de classes diferentes e sendo um amor “mal visto” pela sociedade e pelo próprio pai de Pedro (Afonso da Maia) eles casaram e tiveram dois filhos. Porém, desta vez, Afonso da Maia estava certo e realmente Maria Monforte não era digna de Pedro da Maia, abandonando-o e fugindo com outro homem, fazendo com que Pedro se suicidasse, e assim o primeiro homem foi fisgado pela isca do amor.
Ega, apesar de estudar Direito na Universidade, não resistiu ao amor, e a partir da sua amizade com o Cohen acabou por se apaixonar pela sua mulher. Ega, para um homem universitário, não possuía valores sobre os seus amores, originando um amor adúltero com a mulher de outro homem, este fingindo não ver o que se passava entre eles, devido à pressão social decide confrontar Ega, expulsando-o de sua casa e agredindo-o em público, fazendo com que Ega seja humilhado à frente de todos, e assim o segundo homem é fisgado.
Carlos da Maia, filho de Pedro e neto de Afonso da Maia, tem um percurso muito distinto de seu pai, sendo um homem culto, inteligente, que estuda Medicina e viaja pelo mundo, porém não existe viagem para fugir do amor e Carlos acaba por se apaixonar à primeira vista por Maria Eduarda, e no início, apesar de ser um amor “ mal visto” pela sociedade, o poder do seu amor ultrapassa todas as críticas, e acabam por ter um amor forte e muito superior à média. Infelizmente, descobrem que são irmãos e que estão a cometer incesto. Nesse momento, têm de acabar a relação sim ou sim, e Carlos, um homem cheio de conhecimento, não resiste ao poder do amor e fica completamente abalado. Assim, o amor fisga o terceiro homem.
Eça de Queirós mostra-nos que o amor é o principal responsável pela falta de avanço e desenvolvimento, proibindo homens de alcançarem feitos extraordinários. Neste caso, o amor leva ao suícidio de Pedro e ao abaulamento de Carlos e Ega que, mesmo com estudos e conhecimento, se deixaram levar pelo amor, e mesmo que fisicamente tenham vivido muitos anos, esses homens morreram no momento em que desistiram de realizar feitos extraordinários.
Assim, Eça critica a sensibilidade das pessoas face ao amor, mostrando que muitas vezes é a principal razão da nossa miséria.
“O amor eterno é o amor impossível. Os amores possíveis começam a morrer no dia em que se concretizam.” – Eça de Queirós