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Jornal Escolar AE Muralhas do Minho | 2025-2026


Reescrevendo Camões

Escrita | 28-04-2026

Coleção de sonetos escritos pelos alunos, inspirados na lírica camoniana. O desafio consistiu em criar poemas com ideias opostas às do soneto “A fermosura desta fresca serra”, preservando a estrutura externa, a métrica e o esquema rimático. Cada soneto foi ainda ilustrado com uma imagem gerada por IA.

Ilustração gerada pelo ChatGPT, selecionada por alunos do 11.º B

A fealdade desta seca serra
A claridade intensa da cidade
O inquieto balançar da sociedade
Onde toda a tristeza se enterra

O barulho dos carros, a indiferente terra
nos prédios o sol se esconde
o recolher do povo ao fim da tarde
no ar só há tristeza e fumaça

Enfim tudo aqui é sempre igual
Sem nenhuma variedade a oferecer
sem ti tudo é tão parecido

como posso sem ti viver
se me sinto tão perdido
e ter te a ti era habitual

Anthony Fé, 10.º B


A fealdade desta serra

A fealdade desta serra
e a luz dos despidos sobreiros
o revoltoso caminhar dos passageiros
donde alguma alegria cai por terra

o tormentoso som do mar, a indiferente serra
o mostrar da sombra pelos cinzeiros
e o avançar dos fogareiros
da tempestade da terra desterra

enfim, tudo o que a formosa avareza
com tanta firmeza nos governa
me está (se te vejo) matando

tendo-te tudo me encantava,
contigo, ficava sempre encantado
mas agora foste, só resta tristeza.

Ariana Martins e Matilde Afonso, 10.º B


Na serra cresce o desespero

Na serra cresce o desespero
um pântano que eleva a morte
lá fora nada parece ter sorte
o mundo parece estar em erro

A terra mostra-se cansada e ferida
a lava corre no chão devagar
a gritaria da ventania anda perdida
batem com força as grandes ondas do mar

A sociedade entrega-se à destruição
mas como estar contigo me acalma
a luta deixa de parecer escassa

Desejo que estejas junto a minha alma
encontro abrigo no teu abraço
mesmo no meio de todo este turbilhão

Beatriz Nunes e Lara Caldas, 10.º C


A fealdade desta escassa estação
O ruído dos vazios trilhos,
Os solitários caminhos,
Onde o cinzento toma posição

O silêncio das noites cerradas
O esconder das luzes clandestinas,
O recolher das roupas em tiras,
O combater das forças brigadas.

Enfim, tudo o que a rara cidade,
Com tantos cinzentos oferece,
Na tua presença, não há tristeza.
Contigo, o lampião não escurece
Comigo, sempre presa,
Contigo, para sempre felicidade.

Bernardo Vaz, João Lopes e Tiago Lima, 10.° B


O Brilho no Caos

A terrível vida desta cidade
a sombra dos prédios assombrados
pessoas com caminhares acelerados
choram cansados de infelicidade

O ar poluído e o barulho excessivo
onde a luz do sol não alcança
e o silêncio entre a gente cansa
neste lugar o caos é opressivo

Mas ao entardecer um brilho se vê
os olhos da cidade começam a brilhar
os sorrisos surgem com o encantar

O seu sorriso contagiante
faz a tristeza desaparecer
e os jardins florescer

Catarina Gomes e Luana Tavares, 10.º C


A fealdade desta seca serra
o vento frio que nunca passa
a dor que por dentro me desgraça
a minha vida que não se altera

O céu sem sentido e sem brilho
passos soltos sem saber por onde ir
um coração cansado de existir
sem rumo e falta de carinho

Enfim, no meio disto apareceste
sem avisar nem nada a explicar
trazendo paz ao meu coração

Trouxeste calma, eu sem esperar
vindo e tirando a minha solidão
segurança que não sabia ter

Catarina Correia e Nádia Teixeira, 10.º B

“Continuamente vemos novidades,diferentes em tudo da esperança.” – Luís de Camões