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Jornal Escolar AE Muralhas do Minho | 2025-2026


Estava aqui um Rembrandt

Biblioteca Escolar | 12-05-2026

No museu Isabella Stewart Gardner, em Boston, nos Estados Unidos, estão expostas molduras vazias em memória dos quadros que foram roubados há 36 anos.

Ilustração: Isa Bancewicz

— Já encontraram os quadros roubados?

Quase todos os dias alguém faz esta pergunta aos voluntários do museu Isabella Stewart Gardner. Eles têm a resposta ensaiada: “Preferimos concentrarmo-nos nas 2.500 peças que temos e não nas 13 que perdemos.”

Mas a verdade é que o vazio deixado pelos quadros roubados em 1990 está patente nas paredes do museu. As molduras das obras de Rembrandt, Vermeer e Degas permanecem expostas nas salas onde a colecionadora Isabella Stewart Gardner as pendurou. Estão vazias há 36 anos.

Na madrugada do dia 18 de março de 1990, dois homens vestidos de agentes da polícia entraram no museu, em Boston, e levaram peças no valor de 500 milhões de dólares.

Ao longo dos anos, o FBI tem relembrado periodicamente os norte-americanos de que os quadros continuam desaparecidos e — muito importante — que a recompensa de dez milhões de dólares, oferecida pelo museu a quem der informações sobre as obras, se mantém inalterada. As autoridades também prometem imunidade a quem tenha comprado as peças e as devolva.

O crime prescreveu em 2010 e, atualmente, ninguém pode ser condenado pelo roubo.

Tudo aconteceu na noite de São Patrício, feriado dedicado ao padroeiro dos irlandeses e que é comemorado com muita cerveja. À 1h15, dois polícias tocaram à campainha da entrada lateral do museu.

— Polícia! Abram, recebemos uma chamada sobre ruídos no pátio.

Sem pensar duas vezes, um dos dois seguranças abriu a porta do balcão da receção.

— A tua cara não me é estranha. Há um mandado de captura. Estás preso! Mãos atrás das costas! — ordenou um dos agentes.

Perplexo, o segurança obedeceu e cometeu o segundo erro: afastou-se do balcão onde se encontrava o botão de alarme ligado diretamente à polícia. Algemados, os dois seguranças perguntaram o motivo da detenção.

— Não estão a ser detidos. Isto é um assalto, — disse um dos ladrões.

Os seguranças foram amordaçados com fita adesiva e algemados aos tubos da canalização na cave do museu. Um alarme desatou a tocar quando os ladrões agarraram num dos Rembrandts, mas foi prontamente destruído.

Durante 81 minutos retiraram as telas das molduras e foram duas vezes ao carro arrumá-las. O roubo só foi comunicado às oito horas, quando apareceram os seguranças do turno da manhã.

“Art thieves steal more than beautiful objects; they steal memories and identities. They steal history.” – Robert K. Wittman