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Jornal Escolar AE Muralhas do Minho | 2025-2026


O papel da mulher é amar!

Lara Vaz, 11.º B | 19-05-2026

Os Maias e Amor de Perdição retratam a condição feminina no século XIX, contrastando o romantismo idealizado de Camilo com a crítica realista e social de Eça.

Ilustração: Qin Leng

As obras Os Maias, de Eça de Queirós, e Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, retratam a sociedade portuguesa do século XIX e abordam a condição feminina. Contudo, existem algumas diferenças, não só nas temáticas que desenvolvem, como também no estilo de literatura. Enquanto Camilo é um escritor romântico que escreve um romance sobre um amor proibido, Eça é um escritor realista que escreve sobre um incesto e critica a sociedade da época.

Ao longo da sua obra, Camilo fala-nos sobre duas personagens femininas, Teresa e Mariana, ambas muito diferentes, mas que possuem algo em comum, o amor pelo mesmo homem. Teresa é uma mulher bela e orgulhosa que se condena à vida no convento para não se casar com Baltasar Coutinho; Mariana é já uma mulher mais velha, mas que está apaixonada por Simão desde nova. Mariana faz de tudo por Simão, mesmo que isso implique vê-lo com outra mulher.

Já em Os Maias, Eça critica a sociedade pelo papel que é atribuído à mulher. Critica uma sociedade machista e conservadora que diz que o papel da mulher é ser dona de casa (“A mulher só devia ter suas prendas: cozinhar bem e amar bem.”).

É, portanto, notório uma diferença entre as duas obras e a condição feminina. Enquanto Camilo nos mostra duas mulheres e as elogia pelo amor, e até, de certa forma as enaltece, Eça mostra que as mulheres, naquela época, não serviam para nada aos olhos dos homens a não ser para donas de casa.

Podemos concluir que ambas as obras se conectam uma vez que em ambas o papel da mulher é amar.

“Your silence will not protect you.” – Audre Lorde