Escolapress
Jornal Escolar AE Muralhas do Minho | 2025-2026
Portugal e a indefinição temporal
Escolapress | 22-05-2026
Em Portugal, não damos atenção ao tempo. Qual de nós é que nunca chegou atrasado?
Este é o país do “mais ou menos”. Esqueçam as estatísticas. Os portugueses não ligam a números. Não nos deixamos conquistar por ninguém, nem por valores, nem por medidas. Não atuamos conjuntamente: cada um tem o seu tempo e não arranjamos um tempo comum para trabalharmos em conjunto. Somos um país de minifúndios temporais.
Há quem defenda que as sociedades se podem dividir em dois tipos: monocrónicas e policrónicas. Nas sociedades monocrónicas, o tempo é dinheiro e a eficácia é um valor dominante. As coisas fazem-se uma de cada vez. Nós somos policrónicos, fazemos tudo ao mesmo tempo.
Um operário português tem uma produtividade baixíssima em Portugal, mas, se for para um país como a Alemanha, a sua produtividade é igual ou superior à dos outros operários.
Em Portugal trabalha-se muito e produz-se pouco; noutros países trabalha-se menos e produz-se mais. Porquê?
Em Portugal, há uma indefinição temporal que afeta a produtividade.
Fonte: Portugal, a medida do tempo. Fundação Francisco Manuel dos Santos.
“Ó Portugal, hoje és nevoeiro... É a Hora!” – Fernando Pessoa