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Jornal Escolar AE Muralhas do Minho | 2025-2026


Clube de Leitura: onde quase tudo acontece

Tomás Meirinho, 5.º A | 29-05-2026

No Clube de Leitura, vivemos mais uma tarde ao estilo de Gravity Falls.

Ilustração: O super guia dos perfeitos detetives

O nome da Larissa, segundo ela própria, significa “muita alegria”. E honestamente? Faz sentido.

A Maria decidiu que queria fazer um marcador de livros para o final do ano. Um projeto simples. Inofensivo. Algo tranquilo. Mas isto era o Clube de Leitura, o lugar onde qualquer tarefa simples se transforma numa experiência estranhamente caótica.

A Maria queria imprimir o marcador.
A professora disse que não.
A Maria insistiu.
A professora continuou a dizer que não.
E foi nesse momento que o universo começou a desmoronar-se lentamente.

Enquanto isso, o Hugo estava completamente obcecado com uma série chamada The Amazing Digital Circus. Ele dizia aquilo com tanta emoção que ficámos convencidos de que devemos começar a segui-la. Ao mesmo tempo, desenhava uma das suas personagens preferidas, mas o desenho ficou mais parecido com uma torradeira avariada.

A Maria, que claramente tem energia suficiente para alimentar uma pequena cidade, não parava quieta um segundo. Primeiro começou a tocar na flauta de pã minúscula que a Larissa tem no seu porta-chaves: FLUUU-FIII-FLUUU.
Depois começou a cantar.
Depois começou a pedir à professora para ver o trabalho dela.
Depois voltou à flauta.

A professora olhava para o vazio como alguém que já tinha desistido da própria existência.

Entretanto, o Hugo perguntava de cinco em cinco minutos:
— Precisam de ajuda?
Ninguém sabia concretamente de que tipo de ajuda precisava, mas ele parecia determinado.

A certa altura, a professora pediu ao Hugo para falar um pouco mais baixo. Afinal, estávamos numa biblioteca. O problema é que o “falar mais baixo” de qualquer rapaz de 13 anos tem aproximadamente o volume de um vulcão em erupção.

A Maria anunciou que também queria escrever.
O William decidiu que queria fazer exatamente a mesma coisa que o Tomás e a Maria. Entrou no email. Depois, no Docs. Parecia um hacker dos filmes.

E então… ela chegou.

A Elisa entrou na biblioteca escolar, vinda da Academia, com a energia de alguém que tinha acabado de sobreviver a uma batalha medieval. Passados três segundos, começou a gritar por motivos que ninguém conseguiu identificar e que ainda hoje permanecem desconhecidos.

Logo a seguir, apareceu a Margarida, recém-chegada da casa dos avós, completamente confusa.
— O que é que se passa aqui?
O Hugo respondeu da única maneira possível:
— Não posso dizer.

Depois aconteceu talvez o momento mais estranho deste encontro do Clube.

A Margarida aproximou-se do computador e escreveu:
“Olá, o meu nome é Margarida. O Tomás foi-se embora e eu vim aqui escrever.”

Ninguém questionou.
Já tínhamos ultrapassado a fase das perguntas há muito tempo.

A Elisa começou a discutir com o Hugo sobre música. Disse que a peça dela tinha três páginas de piano. A Margarida respondeu imediatamente que tocava “de boa” uma música de cinco minutos, no violino. Parecia o início de uma discussão interminável.

Enquanto isso, a Larissa lia, com a voz do Google Tradutor, as frases que o Tomás tinha escrito, o que tornou tudo dez vezes mais perturbador. Ao lado dela, o Hugo começou a ler os textos da Maria com a concentração de um narrador de documentários.

Depois, sem qualquer aviso, o William e a Elisa desataram a bater um no outro.

Foi então que surgiu a grande questão do dia:
“Será que a Elisa gosta do William?”

Resposta curta:
Sim.

Resposta longa:
Definitivamente sim.

No meio do caos, a professora descobriu finalmente o nome do instrumento musical preso ao porta-chaves da Larissa. Uma descoberta histórica comparável à invenção do fogo.

Ao mesmo tempo, a Larissa e a Margarida estavam a “pôr novos parafusos na Elisa”, frase que, fora de contexto, parece descrever a manutenção de um robô soviético.

O Hugo continuava a desenhar personagens da série TADC na agenda.
O William e a Elisa ficaram sem bateria nos computadores.
E o ambiente da sala parecia cada vez mais próximo do colapso total.

Então apareceu o aviso final.
A mensagem inevitável.
O presságio do fim.

“Adeus. O computador vai ficar sem bateria.”

E assim terminou mais um encontro perfeitamente normal do Clube de Leitura.

“After all, you’re mortal. One day, you’ll be dust. But I’m an idea. And an idea can’t be killed.” – The Book of Bill