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Jornal Escolar AE Muralhas do Minho | 2025-2026


No estendal da imaginação, há ilustrações e poemas que fazem sonhar

Helena Alves | 18-06-2026

Na disciplina de Português, os alunos do 6.º ano ilustraram poemas de autores portugueses. Os trabalhos originais foram expostos nos espaços comuns da escola, no “estendal dos trabalhos excessivamente criativos”.

Poemas no estendal. Foto: Helena Alves

Ao longo do ano letivo, três turmas do 6.º ano participaram num projeto dedicado à poesia e às artes visuais, desenvolvido nas aulas de Português.

Os alunos criaram ilustrações que deram forma à sua interpretação pessoal dos poemas escolhidos. Recorrendo a diferentes técnicas — desenho, pintura e colagem — exploraram modos distintos de expressar o significado do texto através de imagens. Alguns encheram as folhas de detalhes; outros preferiram deixar as palavras brilhar. O resultado foi uma coleção de interpretações tão variadas como os próprios alunos.

O 6.º B disse que o projeto lhes permitiu “imaginar e criar realidades diferentes, tal como verdadeiros poetas”. Para descrever a experiência, escolheram duas palavras: reflexão e imaginação.

Depois de concluídos, os poemas foram expostos no “estendal dos trabalhos excessivamente criativos”, no corredor que dá acesso ao Bloco D. Era impossível passar por lá sem parar, olhar, ler e imaginar.


Coisas que não há que há

Manuel António Pina

Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num sítio onde só eu ia...

“O que me sinto ser, nunca sei se o sou realmente, ou se julgo que o sou apenas.” – Fernando Pessoa