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Jornal Escolar AE Muralhas do Minho | 2025-2026


A realidade sobre o amor

Lara Caldas, 10.º C | 30-03-2026

Ilustração: Bruno Ferreira

No soneto “Tanto de meu estado acho incerto” do escritor renascentista Luís Vaz de Camões é-nos apresentado o amor como algo confuso e é exibida a fragilidade da pessoa que ama. Este soneto é composto por duas quadras e dois tercetos em versos decassilábicos.

O “eu” lírico encontra-se num estado de confusão e perdido nos próprios pensamentos contraditórios. O sujeito poético está fragilizado e perturbado e, apesar de alegar que não sabe de onde veio todo o seu sofrimento – “Se me pergunta alguém porque assi ando,/ respondo que não sei” –, suspeita que seja por ter avistado a sua amada – “que só porque vos vi minha senhora.” O que demonstra o quão o “eu” está dependente e apegado à pessoa pela qual está apaixonado.

Pessoalmente, creio que este soneto é um dos mais belos e humanos de Camões. O autor mostra que o amor nem sempre é algo tranquilo e feliz e que pode trazer consigo infelicidade e confusão. Camões fala-nos deste sentimento de maneira realista, sem esconder todas as perturbações que o amor pode causar ao seu portador.

Portanto, penso que este soneto, apesar de ser antigo, mantém-se atual e deve ser lido, pois fala de sentimentos com que facilmente nos podemos identificar nos dias de hoje.

“Ah o amor... que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei porquê.” – Luís de Camões