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Jornal Escolar AE Muralhas do Minho | 2024-2025


Declaração da Diretora Executiva da UNICEF, Catherine Russell, sobre a situação das crianças na Faixa de Gaza, após dois meses de bloqueio para ajuda humanitária

Comunicado de imprensa

NOVA IORQUE, 2 de maio de 2025 - Há dois meses que as crianças da Faixa de Gaza enfrentam bombardeamentos implacáveis e são privadas de bens essenciais, serviços e cuidados que salvam vidas. A cada dia que passa do bloqueio à ajuda, enfrentam o risco crescente de fome, doença e morte — nada pode justificar isto.

As famílias estão a lutar para sobreviver. Estão encurraladas, incapazes de fugir em busca de segurança. A terra que costumavam cultivar foi destruída. O mar que utilizavam para pescar foi restringido. As padarias estão a fechar, a produção de água está a diminuir e as prateleiras dos mercados estão quase vazias. A ajuda humanitária foi a única tábua de salvação para as crianças e agora está quase a esgotar-se.

No último mês, mais de 75% dos agregados familiares referiram uma deterioração do acesso à água — não têm água suficiente para beber, não conseguem lavar as mãos quando necessário e são frequentemente obrigados a escolher entre tomar banho, limpar e cozinhar.

As vacinas estão a esgotar-se rapidamente e as doenças estão a espalhar-se — especialmente a diarreia aquosa aguda, que é agora responsável por um em cada quatro casos de doença registados em Gaza. A maior parte destes casos regista-se em crianças com menos de cinco anos, que correm risco de vida.

A subnutrição também está a aumentar. Desde o início do ano, mais de 9.000 crianças foram admitidas para tratamento de desnutrição aguda. Centenas de outras crianças que necessitam desesperadamente de tratamento não têm acesso a ele devido à insegurança e à deslocação.

O direito humanitário internacional exige que as autoridades garantam que a população sob o seu controlo seja tratada com humanidade. Isto inclui não só garantir que os civis disponham dos alimentos, medicamentos e bens essenciais de que necessitam, mas também assegurar padrões de higiene e de saúde pública suficientes. Todas as partes envolvidas no conflito devem permitir e facilitar a passagem rápida e desimpedida da assistência humanitária. E devem permitir e facilitar que todas as entidades relevantes da ONU realizem essas atividades em benefício da população local.

A UNICEF permanece na Faixa de Gaza, fazendo o que está ao seu alcance para apoiar e proteger as crianças. Mas o bloqueio à ajuda e os mais de 18 meses de guerra estão a levar as crianças de Gaza à beira do abismo. Reiteramos o nosso apelo para que o bloqueio à ajuda seja levantado, para a entrada de bens comerciais em Gaza, para a libertação dos reféns e para a proteção de todas as crianças.

Press release

“In wars, it is always the children who suffer the most.” – T. A. Uner